sexta-feira, 14 de junho de 2019

Dia dos Namorados - A Cliente Invisível

Feliz Dia dos Namorados. Foto: @fotografowesley
Afirmar que determinadas situações só acontecem conosco, pessoas com deficiência, pode parecer exagero ou até mesmo o  tão usual mimimi para algumas pessoas, mas, a verdade precisa ser dita e para tal realidade já não cabe mais nenhum tipo de desculpa: ainda existe, infelizmente, muito preconceito quanto o assunto em voga envolve pessoas com deficiência, namoro, sexo, casamento e mil outras questões afins. Acreditem, como PCDs, a gente aqui no blog fala sobre estes assuntos "de carteirinha", e eu trago hoje mais um episódio da série "ela namora?" para divertir e informar/conscientizar vocês.

Então... Brayan e eu moramos em Granja, uma cidade relativamente pequena, daquelas onde praticamente não se consegue guardar segredos. Todo mundo, de uma forma ou de outra, acaba sabendo algo sobre a vida de todo mundo. Assim, por este motivo, eu confesso que achava que a galera daqui já tinha assimilado o fato de eu ter um namorado, e consequentemente, ser a namorada de alguém; mas, eis que na última quarta-feira, dia 12 e também dos namorados, eu me deparo com uma situação desconcertantemente engraçada e que pode ter me revelado um grande e super poder: o da invisibilidade! haha

Saí de casa na manhã de quarta-feira com meu primo e a namorada dele para ir comprar um mimo para o Brayan. Passamos num supermercado, pegamos uns chocolates, petiscos, salgadinhos, e depois fomos a uma papelaria para comprar embalagens, laços, balões e montarmos tudo num baldinho personalizado. Logo que chegamos no local - meu primo me segurando a mão - a namorada dele, Raycha, que carregava parte das nossas compras, pôs todas sobre o balcão enquanto eu me dirigi à atendente e perguntei: "moça, você embala tudo pra gente?" Ela me olhou, respondeu que sim, e depois simplesmente não me enxergou mais...

Compramos papel celofane, lacinho, adesivo, utilizamos o serviço de impressão da papelaria, e mesmo estando o tempo todo muito claro que todas aquelas compras eram minhas e que a cliente era eu, a moça responsável pelo nosso atendimento se dirigiu o tempo todo a Raycha. Até na hora de calcular tudo, ela olhava e falava com a namorada do meu primo, como se não tivesse sido eu quem pediu para ela somar a conta. É estranho este comportamento dela para você que me leu agora? Para mim e outras PCD's, não. Na verdade, atitudes e comportamentos semelhantes são corriqueiros e quase o parâmetro do convencional.

Acho que na cabeça dela não pesou o fato de que a Raycha estava acompanhada do "seu love", e que seria no mínimo estranho ela comprar o presente do dia dos namorados  - porque era óbvio que era esse o motivo da nossa presença ali - na frente do mesmo. Ou pior, talvez para ela tenha soado mais aceitável, cabível, o Wesley - meu primo - acompanhar a namorada na compra do seu próprio presente, ajudar na personalização dele, do que eu ser a cliente, já que isso implicaria no fato de, consequentemente, eu ter um namorado. O olhar de estranhamento da moça era visível e só não foi mais gritante que o fato de ela ter me ignorado praticamente durante todo o atendimento.

Mas, o que mais me surpreendeu nesse episódio e de certa forma me deixou indignada comigo mesma foi a minha atitude. Eu poderia ter sido mais incisiva na minha postura, ter batido o pé no chão - sem fazer barraco, claro - e feito valer o atendimento que me era devido. Todavia, o que a Maluzinha fez? Bancou a egípcia e fingiu para si mesma que nada estava acontecendo. Sim, pipols, naquela hora eu ignorei o fato de estar sendo ignorada e simplesmente corroborei mais uma atitude preconceituosa, fortalecendo dessa forma ainda mais o paradigma de que pessoas com deficiência não namoram, que dia dos namorados não é uma data a ser comemorada por deficientes. Dá zero pra mim, dá!

Cheguei em casa naquela manhã e acabei dando risada ao compartilhar o ocorrido com o Brayan. Invariavelmente, e fazendo jus ao seu temperamento, ele ficou p. da vida com a moça da papelaria, mesmo eu salientando o fato de que muito provavelmente ela não fez nada por mal. E, sabem, eu acredito muito nisso. Claro que sei que muitas pessoas que alimentam preconceitos agem com maldade e até mesmo violência às vezes - as estatísticas dos crimes de homo/lgbt/xenofobia, feminicidio e racismo estão aí para comprovarem isso - mas sei também que muitas outras agem simplesmente movidas pelo desconhecimento e ignorância, sem nenhuma intenção de excluir ou maltratar ninguém.

É então por pensar dessa forma que eu acredito e valorizo muito o poder da informação, da educação e, principalmente, do compartilhamento do conhecimento. Não fossem estes fatores e todas as pessoas que lutaram por eles até aqui, a gente ainda estaria na Idade Média matando as crianças que nascessem com deficiência, seja por considerá-las demoníacas ou incapazes de viverem em sociedade. Mas, graças a Deus, não é mais esse o nosso caso. O ser humano progrediu, nossa sociedade evoluiu, e ainda que não tenhamos extirpado de nós o vício do preconceito, a gente tem o poder de fazer isso. É uma questão de exercício, de auto-compromisso.

No dia dos namorados eu tirei zero nessa tarefa, mas amanhã posso tirar dez, só depende de mim e do quanto eu me empenho em viver o (auto)amor.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Confissão - Malu Não é Meu Ideal de Mulher

Em breve, fotos inéditas.
Meus namoros anteriores não deram certo, principalmente, pela falta de afinidades. O normal, com pontuais exceções, é que as pessoas se aproximem por gostos comuns e, a partir disso, construam uma convivência, desenvolvam sentimentos. Eu era motivado mais pelo medo de ficar sozinho do que pelo desejo de crescer com alguém. Não espanta que tenha fracassado no campo amoroso até conhecer a Malu. A pequena que, aliás, ficou muito surpresa há duas noites, quando conversávamos esperando o sono chegar e contei a ela que nunca fui apaixonado por nenhuma das minhas ex namoradas. 

Essa constatação me veio de repente e só a essa altura do campeonato. É, sou o homem das epifanias. Relembrando meus relacionamentos do passado, percebi que cheguei, no máximo, a gostar de uma e outra daquelas mulheres. Um gostar como o que se sente por um amigo, aquele bem-querer simples. As outras que conheci não me despertaram nada além de um interesse físico, banal. Ouvindo essa revelação, Malu, conhecedora dos meus calos, me disse, com razão, que eu não poderia culpar minhas ex namoradas pelo sofrimento "amoroso" que experimentei por muitos anos. Acabamos concordando que o que mais me doía não era o coração, mas o orgulho, pelas inúmeras expectativas frustradas. 

E por que isso ocorria? Porque eu criava todo um sonho dourado quando começava a conhecer alguém. Com base em um ideal extremamente romântico, eu via as meninas com quem interagi como seres angelicais, puros e sem defeitos; cheguei até a pensar que algumas delas nem conhecessem um homem intimamente. Talvez fosse ingenuidade minha, mas pelo menos eu tinha intenções nobres. Naquele tempo, antes de me desiludir profundamente, eu cultivava o ideal da "princesa encantada"; queria me casar, formar uma família e alcançar o final feliz. Tudo era muito bonito na teoria, mas não poderia ecoar na realidade, porque eu jamais encontraria alguém que se amoldasse àquele arquétipo. De fato, minha busca foi infrutífera e por isso sofri. Eu me causei aquilo.

Mesmo a Malu, que é uma companheira maravilhosa, não atende ao modelo que eu imaginei no passado. Não porque ela esteja abaixo do que eu sonhava encontrar, mas pelo contrário; a pequena superou o ideal que eu construí. Ela é muito melhor, porque é real, simples assim. Seus defeitos não minam nossa convivência; quando é preciso, nós conversamos e acertamos os ponteiros. Além do mais, eu mesmo não sou fruta sem caroço, tenho muitas coisas a trabalhar e estou ciente disso. O que nós dois fazemos é administrar o nosso relacionamento, acertando, errando, porém sempre dispostos a permanecer juntos. Só esse detalhe já torna o nosso namoro completamente diferente de tudo o que vivi antes. Eu apenas "gostei" de uma e outra, e nem com essas eu tinha a intenção de levar o sentimento a outro nível. Nunca amei antes da Malu.

A propósito, jamais tive nenhuma chance com as meninas por quem fui, de fato, apaixonado. Esse detalhe contribuiu para me desiludir. Paixão platônica é algo que incomoda bastante, mas não passa de fogo de palha, porque falta o fundamento, falta o desejar o bem do outro acima do nosso próprio. Apenas o amor pode despertar isso. Aquelas por quem me apaixonei foram as que pensei serem as princesas encantadas do meu sonho. Suponho que, se eu tivesse sido correspondido por alguma delas, seria grande a chance de me decepcionar assim que descobrisse seus defeitos naturais. É estranho admitir isso, mas foi bom levar aqueles foras. Até porque, não fosse por eles, eu talvez não tivesse conhecido a Malu.  

Estou feliz ao lado da minha baixinha. Sou apaixonado por ela e também a amo de coração; não há qualquer antítese nisso. Temos momentos de discordância, porém nenhuma delas é maior do que o nosso sentimento. Sei que preciso melhorar em muitos aspectos, principalmente no quesito "contar mais com a Malu", porque tendo a guardar muitas coisas para mim e quase sempre tento superar as adversidades sozinho, achando que sou um super-herói. Devo lembrar que não estou mais só e que posso dividir eventuais fardos com a minha companheira.

Malu, quero merecer sempre o seu amor e a sua confiança. Me empenho para ser um bom namorado; você diz que eu sou, mas isso não me tira a consciência de que erro e preciso me trabalhar. Quero te agradecer por tudo o que faz por mim, especialmente por nós. Você é paciente, sabe ouvir e aconselhar. Está sempre me incentivando a ser forte e vencer as batalhas. É uma amiga fantástica que me conhece como ninguém e que tem a minha confiança. Eu te amo muito!

Quando eu era solteiro, o dia dos namorados era uma data triste em que as minha frustrações ganhavam eco. Tinha inveja de quem podia comemorar e me revoltava por não ter alguém. Entendo que me faltava maturidade. Relacionamento tem a ver com trabalho diário, sobre si mesmo e em relação aos defeitos do outro; envolve ceder muitas vezes, em vários sentidos; acima de tudo, relacionar-se com alguém é ter a consciência de que a vida ganha mais um sentido, mas que ele não precisa ser o único nem o principal. 

Feliz Dia dos Namorados, adiantado. 

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Não, ele não me diz "não"!

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Mesmo a gente tendo discutido na noite anterior, ainda assim ele topou acordar cedo num domingo e ir comigo para aquela que foi a segunda palestra musical da Liz e do Alex no centro espírita que a gente frequenta.

Apesar de ter me dito várias vezes que não lida muito bem com crianças, ele planejou e participou diretamente de todas as atividades da Obra que a gente desenvolveu junto aos pequenos - contou histórias, liderou jogo em rodinha de conversa, distribuiu brinquedos...

Mesmo sendo um realista confesso, ele aceitou elaborar e proferir uma palestra sobre Combate à Violência Contra a Mulher e se tornou o queridinho da mulherada que participa das atividades que a gente desenvolve.

Apesar de estar há pouco tempo no Espiritismo, ele não se fez de rogado e aceitou compartilhar comigo a responsabilidade de fazer uma palestra no Centro Espírita que fica numa cidade vizinha. Detalhe: ele até então não conhecia ninguém lá...

Recentemente, quando eu estava fazendo tratamento para curar uma crise de sinusite, ele foi sozinho para o Bazar Beneficente. Com dois dos nossos amigos, passou a manhã vendendo roupas usadas e faturou a grana super necessária para as nossas futuras atividades da Obra Social Maria de Magdala.

Eu poderia escrever mil outros parágrafos relembrando situações parecidas que a gente vivenciou nestes quase três anos que moramos juntos, mas acho que estes são o suficiente para mostrar o quanto o Brayan faz acontecer a parceria e a cumplicidade do nosso relacionamento.

Em nenhum dos momentos que eu citei o Grandão tinha qualquer obrigação de me acompanhar, afinal todas aquelas atividades diziam respeito a projetos meus. Mas, ainda assim, ele nunca me disse "não", e se fazendo presente nelas, me mostrou que para ele, também, agora somos nós.

E, confesso, pra mim que morria de medo de viver um sentimento não recíproco, é lindo e gratificante perceber isso! Digo, perceber que mais que namorados, Brayan e eu nos reconhecemos amigos, parceiros... Cúmplices no Amor e na Vida!

Te amo, meu anjo!

Antecipadamente, feliz dia dos namorados!

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Epifania no Divã - Intenções e Resultados

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Faço acompanhamento com psicólogo desde o ano passado, através do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) aqui da cidade. Após um período sem atendimento na área, voltei a me consultar com o Dr. Fábio e tornamos a conversar sobre os diversos assuntos que me tiram a paz. É sempre uma sensação de alívio desabafar com ele e os encontros mensais têm se provado positivos. Lógico que tenho sempre a Malu para conversar (e ela me ajuda muito), mas o psicólogo oferece uma abordagem específica a determinadas questões. Então, posso dizer que estou recebendo apoio dobrado para enfrentar a depressão e cia.. 

A última consulta com o Dr. Fábio trouxe à tona, novamente, as questões familiares, os traumas, as situações mal resolvidas, enfim. Em dada altura, contei que pretendo "me acertar" com algumas pessoas, entre familiares e amigos; que é da minha vontade sentar e conversar com elas, sem brigar, apenas para falar dos meus sentimentos com relação a alguns fatos pretéritos. Minha intenção é apaziguar ânimos, restabelecer laços e seguir a vida de maneira mais leve. O Dr. Fábio me disse, com razão, que eu estou esperando um pedido de desculpas dessas pessoas; porém, me alertou para o fato de que essas desculpas podem não vir a ocorrer. Isso porque, se e quando eu tiver essas conversas, as pessoas em questão podem simplesmente pensar que agiram de maneira correta e que não me devem qualquer escusa. 

Foi uma epifania. De repente, percebi o risco que estou correndo ao alimentar essa expectativa. Se não me pedirem perdão pelos erros cometidos, eu certamente criarei uma nova mágoa com esses familiares e amigos, agora pelo fato de não terem se desculpado. Como detesto injustiças, entenderei que eles não merecem a minha presença em suas vidas; e me fecharei, seguindo minha tendência. Notem que a intenção inicial, tão positiva, geraria resultados lamentáveis para os envolvidos. E tudo por causa de uma expectativa criada e apoiada em concepções pessoais, sem levar em conta os limites morais de cada um. Isso é perigoso.

Não que eu seja alguém superior, mas modifiquei muitas concepções desde que cessou a minha convivência com aquelas pessoas. Sou um homem diferente, mas não posso garantir que meus familiares e amigos do passado tenham, também, mudado, nem que o fizeram para melhor. Pode ser excesso de otimismo acreditar que, com uma conversa, tudo estará magicamente resolvido entre mim e aqueles que me feriram. Por isso, o alerta do Dr. Fábio foi pontual; preciso, desde já, compreender que não há nenhuma garantia de desculpas; pode até ser que nem queiram falar comigo. Esses dias, em um momento em que nos desentendemos (acontece), a Malu disse que, às vezes, parece que eu vivo em um mundo de anime, de filme ou série, onde as coisas ocorrem de um jeito especial. Ela quis dizer que eu preciso encarar a realidade da vida, e nisso creio que ela tem razão.

Outro ponto importante da última consulta foi a constatação, outra vez, de que acumulo responsabilidades que não me pertencem e de que me preocupo com coisas que merecem apenas a atenção de outras pessoas. Isso provém da minha necessidade de controle, gosto de estar no comando, o máximo possível; quando sou pego pelas aleatoriedades, me sinto perdido. E fica sempre muito claro, não apenas nas consultas com o Dr. Fábio mas no dia a dia mesmo, o quanto eu sofro por problemas que nem são meus. A velha mania de ajudar quem não quer se ajudar, o antigo hábito de fazer o esforço que fulano devia fazer. Isso sobrecarrega uma pessoa; eu mesmo já perdi quase todo o cabelo. Decidi que vou melhorar nesse aspecto; é "a cada um segundo as suas obras" e paciência.

Posso ter boas intenções quando desejo restabelecer laços e também quando acumulo responsabilidades alheias. Mas isso não basta para viver bem e pode fazer, pelo contrário, muito mal. Preciso entender que cada pessoa, incluindo eu mesmo, tem as suas limitações, especialmente as morais. Se alguém não se trabalha para reconhecer os erros cometidos e melhorar seu modo de agir, que me resta além de lamentar e aceitar? E, de que adianta sofrer por problemas que devem necessariamente ser resolvidos pelo outro? O nome disso é autossabotagem, escrito emendado por causa da reforma ortográfica.

Eu disse para a Malu, nesse fim de semana, que prefiro me orientar por resultados em vez de intenções. Mas percebo minha incoerência. Foco apenas na minha intenção de reatar laços e esqueço que os outros têm limites e livre arbítrio; priorizo problemas que podem/devem ser resolvidos por terceiros e negligencio minha própria paz de espírito. Em ambos os casos, dou mais importância justamente à minha intenção (reconciliar/ajudar) do que aos resultados práticos (pessoas podem nem querer ver a minha cara/podem se acomodar com meu auxílio). 

Bem, reconhecer um erro já é algo positivo. Vêm sendo importante o apoio da Malu e a orientação do Dr. Fábio. Nem sempre se pode lidar com as coisas sozinho. E, por mais que meu ego se contorça diante dessa afirmação, não posso negar sua verdade. Me cabe continuar me esforçando, porém de maneira correta. Nada de expectativas irreais; nada de carregar nas costas quem pode andar. 

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Morte - Um Ponto de Vista

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Falar sobre a morte é difícil, né? Eu mesma confessei algumas questões existenciais relacionadas a este assunto no meu post anterior (para lê-lo, clique aqui), quando fiz menção ao medo que tenho de perder meus pais. Pois é, vejam que mesmo espírita e acreditando na vida além do corpo físico, minhas crenças não me tornaram imune aos sentimentos de aflição que tal experiência ainda provoca na maioria de nós. Fazer o quê?!

Antes de continuar escrevendo o que tenho em mente para o texto de hoje, quero esclarecer duas coisas: primeira, esse post não se trata do desabafo de uma fã, uma vez que eu só ouvi falar dele ano passado quando a música Jennifer estourou; segunda, não tenho nenhuma intenção de explorar o fato para atrair público para o blog. Ao mencionar a fatalidade que provocou o desencarne de Gabriel Diniz, quero apenas trazer, como sempre, algumas reflexões.

Vocês me acompanham?

A verdade é que é sempre um choque quando algo assim acontece né... De repente a gente abre um site qualquer ou rola o feed de uma rede social, e dá de cara com a notícia que fulano morreu num trágico acidente. Foi bem assim que aconteceu comigo, Brayan e, imagino, a maioria de vocês. Ficamos chocados ao saber que o autor da Jennifer havia morrido. Tão jovem... Tão de repente... Um fato muito triste, todos pensamos e sentimos.

Naquele dia e no posterior eu vi e ouvi vários comentários a respeito. Nara, minha irmã, me enviou um texto escrito pelo Fabrício Carpinejar onde ele escreveu sobre a dor da namorada do Gabriel e o fato de que ela nunca vai comemorar seus 25 anos. Brayan fez comentários revelando que não entendia o porquê de fatalidades assim acontecerem com pessoas bacanas. Tanta gente ruim no mundo e só as boas vão - ele e meu irmão falaram isso quase que por uma boca só...

Realmente, é complicado de entender e, principalmente, aceitar, o que percebemos como injusto. Mas, e se buscássemos outra forma de percepção?

Discorrer sobre este tema, morte, e analisá-lo sob a ótica da justiça, exige uma sabedoria e autoridade moral que eu, Malu, não tenho. Por isso, vou me abster neste ponto e tentar falar sobre ele abordando a questão da necessidade e a perspectiva proposta pela Doutrina Espírita. Como assim "necessidade", guria, endoidou? Quem neste mundo tem necessidade de morrer?  E o que isso tem a ver com o Espiritismo? - vocês podem estar se perguntando.

Vamos por partes...

Uma analogia muito comum no meio espírita compara a vida na matéria com quatro tipos de experiências: a de estar num hospital, estar num presídio, numa escola ou numa oficina de trabalho. Em hospitais estão os doentes, certo? Num presídio estão os que cumprem pena. Numa escola, os alunos. E, por fim, numa oficina de trabalho, temos trabalhadores. Captaram a reflexão proposta por esta analogia? A partir dela, vale meditar por alguns momentos e responder para nós mesmos: em que situação eu me encontro - doente, preso, aluno ou trabalhador?

Observando, então, a nossa vida física sob tais pontos de vista, a chamada morte pode passar a ser encarada como uma espécie de cura (sair do hospital), ou o voltar à liberdade (cumprir a pena e sair do presídio), ou uma colação de grau (fim do período escolar) ou, ainda, a promoção no emprego (sair da oficina). E foi justamente por isso que anteriormente, em um dos parágrafos acima, eu me referi a necessidade.

Por que alguém que passou por todas as aflições e dores que uma doença traz e felizmente sarou ficaria por vontade própria no hospital? E, mais, o que pensaríamos do médico que mesmo depois de ter visto o seu paciente curado, não lhe desse alta? E o aluno que passou com louvor em todas as séries da escola, por que haveria ele de ficar lá indefinidamente? E que diretor insensato seria o que tirasse dele a possibilidade de progredir, certo?

Sigamos na mesma linha de raciocínio...

Por mais horrendo que tenha sido o crime de uma pessoa, se esta ficou no presídio o tempo necessário ao cumprimento da pena fixada pelo juiz, qual a necessidade de mantê-la trancada atrás das grades? Qualquer diretor penitenciário seria tido como tirano se fizesse algo parecido com alguém, imagino. E quanto ao trabalhador dedicado, que obedeceu e serviu à oficina fielmente por todo o tempo previsto no contrato, este não merece férias ou uma promoção?

O que quero dizer com tudo isso, gente, é que a morte perde aquele ar trágico quando nós passamos a enxergá-la como um fato necessário a determinado momento das nossas vidas.

Com exceção do suicídio, que ocorre quando a pessoa decide tirar a própria vida, a experiência do morrer consiste exatamente, e na maioria das vezes, em viver o que nos é necessário, justamente no instante em que mais precisamos. Quando acontece de não ser a hora, a gente não morre, e isso eu digo por experiência própria... Ou vocês acham que se em 2012 fosse necessário o meu desencarne, eu teria voltado depois de ter tido uma parada respiratória que durou cerca de 6 a 7 minutos? Desfibrilador nenhum teria conseguido me fazer voltar... haha

Bom, para não alongar o post, eu quero deixar bem claro que vou entender se para alguns ou todos vocês eu tiver escrito muito e não dito nada, afinal este texto é bem subjetivo  uma vez que falo sobre algo que está totalmente ligado às minhas crenças particulares. Mas, se algumas destas linhas clarearem os anseios de compreensão ou as dúvidas de quem quer que seja, eu já vou me dar por feliz. No mais, que cada um de nós alimente aquilo que nos traz serenidade e paz ao coração.

E, ao Gabriel, bem como aos demais envolvidos no acidente e aos seus familiares, todo Amor e Luz!

segunda-feira, 27 de maio de 2019

As Provas da Vida e a Troca Equivalente

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Em seu último post, a Malu falou sobre o exercício da fé, especialmente sobre como ele precisa ser feito nos momentos de dificuldade. A leitura daquele texto e alguns acontecimentos recentes me fizeram refletir, de novo, sobre as provas que a vida nos impõe todos os dias. Nós somos confrontados por uma infinidade de problemas e eles nos deixam duas alternativas básicas: ou jogamos a toalha e cedemos ao desespero, ou buscamos força sabe-se lá de onde e superamos as encrencas. Ironicamente, essa escolha não é tão fácil na prática.

Atualmente estou passando por uma fase que é complicada por várias razões. Gosto muito de metáforas, então vou me valer de uma para começar a explicar. Profissionalmente falando, me sinto como o sobrevivente de um naufrágio. Estava eu no maravilhoso "navio'" do Direito, quando a tempestade chamada "mercado de trabalho" veio com suas ondas e afundou tudo. Sobrevivi ao desastre, porque cheguei, aos trancos e barrancos, a uma "ilha" que, nessa historinha, é a aprovação no concurso que fiz para o TRF-5. Estou esperando ansioso pelo "resgate", pela convocação para que eu possa, enfim, exercer meu cargo e continuar a jornada. O socorro pode vir amanhã ou daqui a um ano, não se sabe. Até lá, tento não desanimar. A ironia é que, tal como um legítimo náufrago, estou sem grana, o que não é muito agradável para um homem com quase 28 anos.

Quanto às minhas dificuldades físicas, vocês já as conhecem. A necessidade do andador, as ocasionais dores e a falta de força e mobilidade nos membros compõem um quadro que, visto apenas com os olhos, fica incompleto. O que costuma estar oculta é minha não oficialmente diagnosticada depressão, que me tira a vontade de fazer muitas coisas. Escrever este post está sendo, de certa forma, um desabafo e também um desafio, porque me desanimo com frequência e só Deus sabe quantas vezes já me vi à beira do abismo. Hoje não estou cem por cento e, quando Malu me lembrou que eu tinha reservado a tarde para escrever, me vi diante das duas alternativas: ficar pra baixo e não vir aqui falar com vocês; ou me recompor e contar do que sinto, o que geralmente me ajuda a seguir em frente. Me decidi pela última opção, porque nada adiantaria eu me encolher.

Citei apenas duas das provas que estou enfrentando nesse momento. Há outras que renderiam, cada uma, posts específicos; porém não vou me alongar e nem alimentar o baixo astral. Importa dizer que tenho me esforçado para não esmorecer; e isso porque tenho fé, mesmo que seja pequena, de que as coisas vão se ajeitar. É o que me tira da cama de manhã. Claro que, sem o apoio inestimável da Malu, eu não estaria lidando tão bem com essa bagunça toda.

Perdoem o devaneio, mas há um conceito no qual acredito muito, o da chamada "troca equivalente";  ele significa que, para se obter qualquer coisa nesse universo, é preciso dar algo de peso semelhante. Quer passar em uma prova? Estude. Quer ficar musculoso? Treine com disciplina. Os exemplos são inumeráveis. Transportando a ideia para o tema de hoje, temos que, para superar um determinado problema, precisamos investir mais força de vontade quanto maior for a tribulação. Mas, aqui entra um detalhe curioso: as coisas têm o tamanho que damos a elas, o que significa que, se tratarmos uma dificuldade de maneira natural, será mais fácil atravessá-la. 

O que me leva ao ponto principal. A vida nos testa de maneira dura, é verdade; mas o que realmente importa é como NÓS nos determinamos diante dessas provas todas. Há alguns dias a minha sogra esteve doente e a fé da Malu foi testada. A pequena pode ter vacilado em alguns instantes, mas encontrou forças para rezar e acreditou no melhor; felizmente dona Marta já está bem. Na faculdade, muitas vezes me vi diante de problemas que poderiam ter impedido a minha formação, porém não desisti de estudar e, de alguma maneira, tudo acabou dando certo. Quero crer que minha fase atual é apenas isso, uma fase que logo terminará para que se dê um novo ciclo.

Talvez um dos maiores segredos desse mundo seja o de que podemos fazer qualquer coisa, vencer toda resistência que surja pelo caminho, se nos empenharmos com vontade. Não digo que seja fácil, nem que vá render resultados instantâneos, mas uma determinação forte é capaz de derrubar muralhas. Malu e eu não teríamos nos encontrado se tivéssemos desistido do amor cada vez que nos decepcionamos. Nós tivemos fé e fomos recompensados. E eu termino este post me sentindo melhor do que quando comecei. A "troca equivalente" funciona. Sempre.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

O Exercício da Fé

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Nunca vi de perto um grão de mostarda, mas pela quantidade de palestras e seminários que já assisti sobre esta passagem do Novo Testamento, eu sei que a fé à qual Jesus fez alusão quando disse tais palavras aos seus discípulos, não precisa ser algo necessariamente grande. Uma fé pequenininha, foi ao que nos exortou Jesus.

Como professante do Espiritismo, uma Doutrina que propõe a busca constante por uma fé raciocinada e livre do conhecimento puramente dogmático - aquele que a gente adquire, mas não deve questionar - sempre costumo pensar e dizer que no tocante a este sentimento, fé, eu ainda transito entre a razão e a emoção.

Ora, se vocês me perguntarem se eu acredito, confio, tenho fé no Espiritismo e nos princípios que ele dispõe, eu vou responder - sem pestanejar - que sim. Eu realmente tenho total confiança e não duvido de nada do que aprendi e continuo aprendendo com a Doutrina Espírita.

Para mim, por exemplo, a vida após a morte é um fato - até porque já conversei com vários espíritos; a reencarnação é uma das Leis do Universo - e pra mim só ela explica as desigualdades e as aparentes injustiças do mundo. Também creio que Deus é soberanamente Amoroso e Justo; e que aquilo que conhecemos por destino, nada mais é que uma mistura de consequências das nossas escolhas com experiências necessárias ao nosso crescimento e evolução.

Enfim, racionalmente está tudo nos conformes dentro de mim a respeito destes preceitos e eu não tenho, juro, nenhum tiquinho de receio de estar enganada.

Mas, a coisa começa a mudar um pouco de figura quando a vida passa a se desenrolar e todo este aprendizado é posto à prova em meio a determinadas experiências que, a partir de uma auto-observação, eu percebi serem, em mim, uma espécie de "calcanhar de Aquiles".

Tipo, eu sei e confio que a morte não existe de fato. Como disse, já tive provas disso ao conversar com alguns espíritos desencarnados - entre eles a minha avó paterna. Mas, basta eu parar para pensar na morte dos meus pais por exemplo (Deus me livre!), que toda essa certeza se torna insuficiente para acalmar meu coração e tirar o desespero que tal pensamento me traz.

Do mesmo modo, acredito no Amor, na Sabedoria e na Justiça Divina, e que tudo o que nos acontece tem um porquê; que nunca, nunca mesmo, estamos sozinhos. Todavia, em momentos como o que a gente vivenciou recentemente - minha mãe doente, precisando ser internada... - mesmo sabendo que nada é por acaso e já tendo tido provas variadas da Assistência Espiritual em nossas vidas, o conhecimento disso tudo não foi o bastante para que eu mantivesse a calma e a serenidade no meu coração.

E isso por quê? Porque me falta justamente aquela fé do tamanho de um grão de mostarda... E, que fazer, Malu? Acho que assim como se faz necessário para todo e qualquer grão brotar, a fé - também - é preciso cultivar.

Fazer isso, digo, cultivar tal sentimento quando tudo vai bem em nossas vidas é muito fácil. É como ter uma planta artificial ornamentando nosso jardim... Ela não precisa de sol, não carece de água, não nos exige qualquer esforço ou trabalho. Pode até embelezar temporariamente, mas, não perfuma.

O trabalhoso, mas ao mesmo tempo fortalecedor do exercício da fé, é que ele precisa ser feito nos momentos de tribulação, naqueles dias em que a descrença, o medo e todos os sentimentos afins estão ali, batendo à nossa porta... São nestes instantes, se cultivada com coragem e resignação, que a fé desabrocha, perfuma e nos engrandece.

Por tudo o que eu disse até aqui, vocês já devem ter percebido que para mim este exercício anda longe de ser um dos mais fáceis; principalmente se ele está relacionado à possibilidade da "perda" de pessoas que para mim são mais que essenciais. Mas, o fato de ser algo extremamente difícil não tira dele o caráter de ser necessário, urgente mesmo.

Nos últimos dias, quando minha mãe se encontrava doente (hoje ela está em franca recuperação - graças a Deus!) de nada adiantou eu me manter temerosa e angustiada.  Além de não ter podido fazer por ela o que ela sempre fez e fará por mim se eu precisar (ir em consultas, ficar de acompanhante no hospital...), por dias eu me deixei levar por um medo insano que não fez nada além de enfraquecer as energias de cura que ela precisava.

Foi só quando me caiu essa ficha - depois de muito choro da minha parte e colo de pessoas queridas, principalmente o do Brayan - que eu tomei a atitude de fortalecer ainda mais o combate ao baixo astral. Quem deseja a luz, tem de procurá-la, certo? Se a gente só se debater de olhos fechados com medo do escuro, vai ser impossível ver um brilho que seja ao nosso redor...

E, creiam, ao nosso lado existe algo muito mais forte, iluminado e poderoso que meros brilhos de luz, gente.

Hoje, com o coração mais tranquilo, eu consigo perceber que mesmo nos dias mais difíceis dessa nossa última experiência familiar, o amparo e a proteção de Deus estiveram sempre presentes - como no momento em que a gente corria com a mãe para Sobral, ela praticamente chorando de dor. Depois de ene ligações sem resposta positiva, a minha irmã conseguiu marcar com o médico que, mesmo depois de ter encerrado o seu horário de trabalho, se dispôs a esperar para atender minha mãe. Foi ou não foi a Providência Divina em ação?

No último domingo, por indicação de uma das "tias" lá do Centro Espírita que frequentamos, Brayan e eu assistimos ao filme O Milagre de Cokeville (tem ele completo no YouTube, quem quiser ver, clica aqui). Um filme que fala sobre o poder da prece, a importância da fé e, principalmente, sobre a assistência, a proteção e a providência Divina. Coincidência demais para ser coincidência, certo?

Ao final dele, confesso, meu coração ficou pequenino e gigante quase ao mesmo tempo. Pequeno porque senti vergonha, afinal, mais uma vez estava ali o cuidado de Deus através daquele filme, como se fosse Ele dizendo: "- Olha, Malu, vocês nunca estão sozinhos, nem mesmo quando tudo explode ao seu redor." E, gigante porque não tem nada melhor do que sentir que a gente tem sim, e sempre, com quem contar; que não importa o que aconteça, Deus não erra. E que, se em meio à dor nós conseguirmos abrir o coração, sempre vamos perceber que é justamente nestes momentos que Ele nos carrega no colo.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Capacitismo: Você Sabe O Que É?

"Especial", série da Netflix

Assistimos recentemente à série Especial, disponível na Netflix. Ela conta a história de Ryan, um jovem gay com sequelas de paralisia cerebral. A Malu encontrou uma resenha da produção e sugeriu que podíamos assistir juntos. De início, fiquei meio desestimulado, mais porque tenho preguiça de começar séries novas. Porém, achei interessante a ideia de um protagonista duplamente fora do que se considera “padrão” da sociedade, e decidi maratonar os oito episódios com a pequena.

Se você ainda pretende assistir Especial (recomendo), sugiro que pare de ler, pois vou dar leves spoilers.

Foram diversos detalhes que me chamaram atenção no decorrer da história, incluindo uma cena um tanto explícita do Ryan com um garoto de programa. A questão da sexualidade da pessoa com deficiência já renderia um post inteiro, mas hoje vou focar em um termo que não conhecia e que é apresentado quando Ryan inicia um estágio em uma revista virtual. Você sabe o que é “capacitismo internalizado”? Pois é, eu também não sabia.

Com base em uma pesquisa no Google, é possível descobrir que o capacitismo é a discriminação ou preconceito contra pessoas com deficiência. É curioso, passei por isso tantas vezes na vida e nunca soube que havia um nome específico. O capacitismo se manifesta quando o deficiente é subestimado ou tem exaltadas realizações comuns, quando os outros duvidam de suas capacidades, quando estigmatizam as suas limitações e o enxergam como um coitadinho. Mas essa é apenas metade da história.

O capacitismo internalizado é um preconceito praticado não pelas pessoas ditas normais, mas justamente pelo deficiente contra si mesmo. A PcD que costuma se sentir inválida, que foge de algumas situações para não ser confrontada com seus limites, por exemplo, está internalizando, absorvendo o capacitismo de outros indivíduos e acreditando nele. Novamente me identifico. Lembram-se de quando contei minha angústia em chegar cedo na faculdade, só pra não correr o risco de ter de entrar depois na sala de aula e todo mundo ficar me olhando? Que epifania! Está aí um belo exemplo de capacitismo internalizado; eu acreditava que meu jeito de andar podia ser desagradável ao olhar de certas pessoas e ficava com vergonha. Isso ainda acontece até hoje, ainda me sinto o patinho feio quando chego a alguns lugares; estou acreditando no preconceito dos outros, e muitas vezes ele nem existe de verdade, apenas na minha cabeça.

Voltando à série, a personagem que mais detestei foi a chefe do Ryan, Olivia, uma mulher arrogante e extremamente fútil. Em diversos momentos ela foi insensível com o rapaz, fazendo piadas de mau gosto e o excluindo sem dó, como quando o manda ir embora de sua festa de aniversário. Lendo algumas críticas sobre a série, lembro-me que alguém mencionou que Olivia seria a personificação da realidade dura da vida. Admito que faz sentido; a megera nunca tratou Ryan como coitadinho e nem o enxergava como “especial” pelo fato de ele ser diferente. Exatamente como a vida faz: sem privilégios, sem tratamento vip, todos temos que encarar as dificuldades; não existe alguém “especial”, de fato.

Na verdade, foi Olivia quem apresentou ao Ryan o termo “capacitismo internalizado”, sugerindo que o rapaz sofresse disso, e ela estava mesmo certa. Ora, ele sempre foi acostumado a ser visto como diferente, então foi chocante finalmente encontrar alguém que não pegava leve com ele por suas limitações. Creio que o capacitismo internalizado seja a maior explicação para o Ryan ter escondido dos colegas de trabalho que tinha sequelas de paralisia cerebral; ele preferiu atribuir seu andar manco ao atropelamento que sofreu, escondendo sua condição de deficiente.

Poderia dizer que a culpa pela existência do capacitismo e de sua modalidade internalizada é dos padrões impostos pela sociedade. Seria uma meia-verdade. Esses preconceitos existem porque a maioria das pessoas, “normais” e deficientes, não costuma praticar a aceitação. A vida ficaria bem mais leve se nós simplesmente disséssemos “ok” para as diferenças, com serenidade; se nós compreendêssemos que há coisas que se pode mudar e também as que não se pode, então bola pra frente; se, em um português mais descontraído, “tacássemos o foda-se”.

Um parêntese. Fico pensando que um dos motivos pelos quais eu detesto a palavra superação é porque vejo nela o capacitismo em sua forma mais pura. É como se dissessem “você é um coitadinho (a), mas não é que conseguiu mesmo ‘x’ coisa?”. Talvez eu esteja manifestando capacitismo internalizado, supondo preconceito onde não existe. De qualquer forma, “superação” é um vocábulo estereotipado que eu prefiro evitar.

Além da questão do capacitismo, outra mensagem bacana que recebi de “Especial” é a de que não devemos nos preocupar em agradar aos outros. Ryan ocultava sua condição de deficiente para não ser excluído; a amiga dele escondia dificuldades financeiras para viver uma vida de aparências; a mãe do protagonista teve receio de comprar um simples vestido, temendo que pensassem que era curto demais para sua idade. Vejam quanto peso desnecessário essas pessoas carregavam. Quantos de nós fazemos o mesmo ou pior? Novamente, porque desejamos ser queridos; a velha noção do ser social. Daria outro post.

Bem, nenhum de nós é mesmo “especial” diante da vida e nem precisa ser. O nosso maior valor está, suponho, em nossa individualidade. Esse tesouro apenas é acessível àqueles que praticam a aceitação. Não que seja algo fácil e rápido de se praticar. Porém, ter a consciência de que somos únicos, à nossa maneira, é um começo. Isso já seria o bastante para derrubar os capacitismos nossos de cada dia.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Primeiro Aniversário do True Love!

Arquivo Pessoal 

Como personagem e co-autora da minha própria vida, não raras vezes me vejo tomada por uma sensação de espanto - que beira a incredulidade - quando paro para pensar sobre os caminhos que percorri para chegar ao dia e às experiências que vivo hoje. Reflexões do tipo "quem diria, menina, que tu viveria tudo o que está experimentando agora? Que loucura - incrível - foi essa que tomou conta da tua vida?".

Vejam, tive uma infância feliz, cercada de proteção, amor e cuidado; minha adolescência, apesar de algumas experiências difíceis, também foi bacana; mas, nada, nada mesmo me indicava no passado que eu atravessaria uma mudança brusca de postura, e isso não só no tocante à minha vida afetiva, mas principalmente no modo de lidar comigo mesma, com os meus medos, sentimentos, inseguranças...

A Luizinha de antes se tornou uma Malu que, de verdade, não cansa de me surpreender.

Uma pequenina amostra dessa espécie de desabrochar é o True Love: um projeto - modéstia à parte - lindo, fruto da parceria "Grandão & Pequena", nascido de um empurrãozinho do meu pai e que hoje completa o seu primeiro aniversário. Que alegria, gente! Novamente, modéstia às favas - que sentimento de realização gostoso o que eu estou sentindo agora ao escrever estas linhas! E, querem saber por quê?

Simples, porque ele não existiria hoje se, mesmo tendo o Grandão ao meu lado, eu tivesse continuado a ser a Luizinha de antes. E, se você tiver lido a entrevista que concedi - que chique dizer isso! hahaha - à Laila Costa, do Mural da Beleza (se ainda não leu, clique aqui), você já deve estar por dentro do que estou falando.

Por muito tempo fui uma menina retraída, uma adolescente muito, muito introvertida, do tipo que não desabafava com ninguém e que revelava seus sentimentos apenas para as folhas do diário e, depois, para a tela do computador em postagens de blogs. Quanto aos diários, estes eram escondidos a sete chaves, e quando um deles foi lido pela minha irmã, eu parei de escrever em folhas de papel e migrei de vez para a blogosfera.

Ora, ali eu descobri que tinha liberdade... Nos blogs eu podia escrever sob pseudônimos ou, se quisesse ter leitores, bastava limitar o acesso àqueles que por simpatia e afinidade eu sabia que podia confiar. Foi assim que de 2005 a 2013 eu tive 3 blogs: o Abstinência, o Verdade Inventada e o Equilíbrio Insano (este ainda existe mas com acesso bloqueado). Nesta época, eu já era apaixonada pela escrita, era algo que me era tão necessário quanto respirar; mas, eu também morria de medo de me expor através dela...

Comecei a me trabalhar no tocante a essa insegurança em 2013, depois de um pé na bunda que a Vida me deu - falo um pouco sobre isso aqui. Foi então que surgiu o blog Oxigeneando-Me - lembram que escrever é como respirar pra mim?. Nele eu já não limitei mais o acesso e tampouco usei pseudônimos. Ali desde o início eu sou a Malu - sim, o Oxigeneando-Me ainda existe e você pode conhecê-lo clicando aqui. Mas, mesmo escrevendo publicamente e aparentemente de peito aberto, algo ainda me podava.

É que muitos dos posts que postei lá foram escritos de forma subliminar. Como eu compartilhava os links das publicações no facebook (me propus isso em uma espécie de exercício de coragem!), nos textos eu evitava citar nomes de pessoas por exemplo e falar profundamente sobre o que eu sentia. Sei lá, eu sabia que minha família e alguns amigos liam o blog e tudo o que eu não queria era me expor ou despertar a piedade deles ou de quem quer fosse.

- Brayan está escrito e descrito em muitos posts , mas quem disse que eu citei o nome dele? haha -

O fato é que hoje percebo que a Vida foi conduzindo tudo, e mesmo nos momentos que fizeram parecer que só reinaria o caos, ela foi juntando as peças do quebra-cabeça nos seus devidos lugares e compondo a realidade que vivo hoje.

Conhecer a Doutrina Espírita + experimentar o pé na bunda + ter tido a percepção de que era preciso acordar para a Vida, tudo isso contribuiu para uma transformação que nem eu mesma percebi estar acontecendo. Quando dei por mim eu já não era a pessoa tãããooo introspectiva de outrora, já conseguia verbalizar um pouco do que sentia, já não tinha tanta vontade/necessidade de esconder ou podar o que sentia... De repente me dei conta de que a Luizinha excessivamente medrosa morreu no coma, e foi aí que Eu, de fato, comecei a sair da concha e desabrochar para a Vida.

E foi esse Eu, essa Malu quem se permitiu conhecer pessoas, viver novas experiências e deixar bater o coração. Nesse contexto eu conheci o Brayan e tive, graças a Deus, a coragem de não apenas me abrir para o Amor, mas principalmente, de lutar por ele. Nós dois lutamos. Tivemos e travamos individualmente as nossas próprias batalhas desde o início, mas, se naquele comecinho - quando a gente ainda estava apenas se descobrindo - sentíamos muitas vezes que ainda estávamos sozinhos, hoje este sentimento não existe mais.

Estamos longe de ser um casal perfeito, sem DR's, problemas de convivência e tal... Temos, e sempre deixamos isso bem claro aqui no blog. Mas, felizmente, a gente também tem conseguido lidar com estas arestas, afinal, o que deve ser um relacionamento se não algo que precisa ser lapidado?

Brayan e eu estamos há quase 4 anos escrevendo juntos a nossa história - comemoraremos aniversário de namoro no dia 20 de dezembro, que Deus permita!. Continuamos com as nossas individualidades, travando as nossas próprias batalhas, mas agora temos um ao outro. A gente se cuida, a gente se ama e, o principal: nós acreditamos que quando existe Amor, não existe obstáculo intransponível ou insuperável. Foi e continua sendo este o objetivo primordial do True Love: ser mais uma voz fortalecendo a ideia de que O AMOR TUDO PODE, TUDO VENCE!

Assim, deixo aqui o nosso obrigada a todos por estarem com a gente durante este nosso primeiro ano! Fiquem à vontade para permanecerem, a casa é de vocês, bem como o nosso carinho e gratidão também!

Grandão, obrigada por sermos nós! Que sejamos sempre, independentemente de qualquer coisa!

Pai e Mãe, obrigada por serem quem são, por serem meus pais e meus maiores exemplos de Amor. Por vocês eu tento ser melhor todo dia! A vocês eu sou grata sempre!

***

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia, saiba todos os mistérios e todo o conhecimento e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá. O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." - 1 Coríntios 13


quinta-feira, 16 de maio de 2019

#AssimComoVocê: Luciana - Repentista, Bailarina, Pesquisadora e Escritora

Oi, gente!

Hoje, como o planejado desde o início, a gente traz mais uma convidada incrível para o True Love. E nossa, que felicidade podermos trazer de forma consecutiva relatos para a nossa #AssimComoVocê! A contribuição de hoje foi a primeira que nos chegou fazendo o caminho inverso e isso nos deixou muito felizes.

Explico: Luciana, nossa linda convidada, nos procurou através da página no facebook. Segundo ela, alguns amigos lhes falaram sobre o True Love e sobre a #AssimComoVocê.

- O blog está ficando popular, pipols!!!! \O/ -

A partir daí a gente começou a conversar, perguntei sobre a vida e o trabalho dela... E, ao final, não pude deixar passar a chance de convidá-la a escrever e trazer a sua contribuição para o True Love. Luciana é uma mulher de talentos variados e tenho certeza que vocês também vão adorar conhecê-la.

Passo a palavra...

***
Arquivo Pessoal 

Meu nome é Luciana do Rocio Mallon, tenho 44 anos de idade, sou repentista, bailarina folclórica, pesquisadora de causos, escrevi os livros Lendas Curitibanas 1 e Lendas Curitibanas 2. Mas nem sempre as coisas foram fáceis para mim.

Em 1979, eu tinha cinco anos de idade e não gostava quando minha mãe contava os contos infantis tradicionais como: Branca de Neve, Bela Adormecida e Cinderella. Pois eles tinham os mesmos finais: princesas que casavam com príncipes. Porém eu gostava quando as mulheres mais velhas narravam lendas populares como: Lobisomem, Drácula, Loira-Fantasma, Noiva do Belvedere e Bailarina da Rodovia.

Aos seis anos, na pré-escola, fui alfabetizada e comecei a escrever textos num caderno de rascunhos de histórias que eu imaginava. Mas no primário notei que possuía muitas dificuldades em atividades físicas e motoras como: desenhar, recortar e passar a bola para os colegas. Assim eu evitava ao máximo aparecer nas aulas de Educação Física.

Eu também tinha dificuldade de interpretar os enunciados dos problemas em Matemática. O tempo passou, fiquei adulta e no final dos anos 90 precisei trabalhar com carteira assinada.

Assim na minha juventude consegui o emprego de vendedora em loja. Lá eu conversava com as freguesas e sempre perguntava:
- A senhora conhece alguma lenda urbana?
- O bairro em que a senhora mora possui algum causo misterioso?
Então fui anotando os relatos num caderno.

Depois precisei fazer curso de Informática Básica porque o mercado de trabalho exigiu. Lá a professora descobriu que eu gostava de escrever. Assim ela me aconselhou a colocar meus textos num blog. Deste jeito, consegui um espaço gratuito no site Usina de Letras.

Naquela mesma época meus problemas motores estavam me atrapalhando nos empregos. Deste jeito procurei vários profissionais da área de saúde para saber o porquê tinha aquela deficiência. Psiquiatras e neurologistas constataram que eu possuía Síndrome de Asperger, um tipo de autismo leve que atrapalhava a minha coordenação motora fina. Foi aí que comecei a fazer sessões de Fisioterapia. Então a fisioterapeuta me recomendou entrar para as aulas de Danças Ciganas ou Flamencas. Deste jeito me matriculei em academias.

Algum tempo depois entrei nas redes sociais onde coloquei alguns textos. Desta maneira o jornalista Hélio Puglielli me aconselhou a publicar um livro. Mas eu confessei que não tinha condições financeiras para contratar os serviços de uma editora. Porém este jornalista afirmou que a Editora chamada Instituto Memória, do Anthony Leahy, publicava livros de forma gratuita se o ator tivesse talento. Entrei em contato com este editor e em novembro de 2013 o livro, Lendas Curitibanas 1, foi publicado.

Hoje dou aulas de danças no Centro Cultural Gabriela Valentina, em Curitiba, e em abril de 2019 foi lançado o livro Lendas Curitibanas 2. Também realizo uma apresentação voluntária e gratuita chamada: Lendas, Repentes e Danças, onde faço poemas com as palavras que o público escolhe, bailo coreografias de dança e narro causos misteriosos em lugares como: eventos, festas, escolas, bibliotecas, asilos e hospitais.

Luciana do Rocio Mallon

***

Luciana deu algumas entrevistas e tem vídeos sobre o trabalho dela espalhados pelo YouTube. Vocês podem conferir um pouco mais sobre ela, clique a baixo :
Entrevista com Luciana Do Rocio: Parte 1 e Parte 2

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Meu Destino por Cinquenta Reais

Imagens Google

Era 2013, eu morava na cidade (buraco) de Vacaria-RS e estava no último ano da faculdade. Na época, também fazia estágio na Receita Federal, e quem me levava até lá, de segunda a sexta-feira, era a Isabel, uma vizinha próxima que trabalhava com transporte escolar. Nós ficamos amigos e conversávamos muito, sobre praticamente todas as coisas. Reconheço que, a certa altura, quase chamei ela para sair comigo, mas não o fiz porque tive receio de estragar aquela convivência tão bacana. Mesmo eu tendo apenas 21 anos, não me sentia intimidado por ela ser mais velha e já ter um filho.

Falo sobre ela porque foi a pessoa que, de certa forma, me levou até a Malu. Isso pode soar estranho, mas vocês logo entenderão. Um belo dia, a Isabel comentou comigo sobre uma cartomante chamada Liliane que, segundo ela, seria uma das boas. Fiquei imediatamente interessado, por curiosidade e também porque sempre acreditei na habilidade que algumas pessoas têm de ver as coisas, o futuro, etc.. O preço da consulta era 50 reais, dinheiro que espertamente reservei quando recebi minha bolsa mensal da Receita. Combinei com a Isabel que iríamos juntos ver a Liliane.

Não me lembro qual era o dia da semana, mas fomos até a casa dessa mulher. Havia uma pequena lojinha com produtos esotéricos, incluindo sabonetes, perfumes e óleos. Isabel e eu entramos e nos sentamos lado a lado no escritório de Liliane, que nos recebeu amistosamente. Ela embaralhou as cartas e pediu que eu cortasse, dividindo em pelo menos três pilhas. Assim o fiz e ela, então, começou a virar algumas daquelas cartas. Eu estava ansioso, sabia que podia ouvir coisas muito boas ou receber alguma notícia ruim. Mesmo naquele momento eu já era ciente de que pessoas podem se sugestionar e ser induzidas com facilidade; por isso, não falei praticamente nada e esperei para ver o que a Liliane me contaria, o que ela veria sobre a minha vida.

Para começar, ela disse que eu tinha noventa por cento de chance de ser aprovado no exame da OAB; isso foi um alívio gigantesco, porque eu estava me preparando para a prova e estudando muito. Fiquei animado e já pensava que os cinquenta reais tinham valido a pena. Ela continuou falando e disse que talvez não fosse o melhor momento para nos mudarmos de cidade. De fato, no final daquele ano minha família e eu pretendíamos voltar a Passo Fundo, nossa cidade natal; eu estaria formado, poderia trabalhar e a vida seguiria. Não tenho certeza se essa previsão específica estava certa ou não; o fato é que nos mudamos e começaram os perrengues da vida profissional. Bem, isso não importa muito; o incrível vem agora.

Das coisas que lembro que a Liliane disse, a última foi a que mais me chamou atenção. As palavras dela foram exatamente estas: “Você vai conhecer uma mulher mais velha; você vai ajudar ela e ela vai te ajudar”. Sabia que ela estava falando de relacionamento, mas eu não tinha perguntado sobre esse quesito. Fiquei intrigado. Posso ter memória ruim para algumas coisas, mas não costumo me esquecer daquilo que ouço, e as palavras da Liliane até hoje seguem dentro da minha cabeça.

Depois daquela consulta, procurei ficar atento às mulheres mais velhas que eu conhecesse, pois qualquer uma delas poderia ser a da previsão. E houve mesmo algumas... muitas mulheres que conheci, isso não vem ao caso. Importa dizer que a previsão se confirmou com a Malu. Quando a pequena e eu começamos a nos conhecer melhor, eu me lembrei da previsão da Liliane e pensei: “puxa, agora pode ser ela!”. Enfim acertei; a Malu é seguramente a mulher que a Liliane viu nas cartas e eu nem suponho que possa existir outra no meu caminho. Entendem agora por que eu disse que a Isabel, de certa maneira, me levou até a Malu?

Acredito sinceramente no poder das cartas e na habilidade de ver o futuro. Mas também sei que isso pode ser usado por pessoas maliciosas como uma espécie de “cheque em branco”, para induzirem muitos em erro. Há muitos charlatões por aí, mas isso não significa que não existam, mesmo, indivíduos com habilidades fantásticas. No meu caso, vejo sentido no que ouvi da Liliane. Acredito que meu encontro com a Malu já estava preparado há muito tempo; suponho que não nos achamos antes porque não estávamos prontos. E, a propósito, a Liliane também acertou sobre o exame da OAB; eu passei de primeira e sem sustos.

Não sei vocês, mas eu acredito em destino.


sábado, 11 de maio de 2019

Mãe - Sinônimo de True Love

Imagens Google

True Love - o nome do blog - significa Amor Verdadeiro e foi inspirado em uma orientação que Brayan e eu recebemos no Centro Espírita que frequentamos. Naquele dia a Irmã Clara nos falava sobre o Amor, explicando que ele só existe quando envolve cuidado, doação de si mesmo, quando nós desejamos o bem e a felicidade do outro antes de tudo. Tais palavras naquele momento diziam respeito a nós dois, é verdade; mas, ao analisá-las hoje, e alargando o contexto das nossas reflexões nestes dias que antecedem o dia das mães, é impossível não recordar a pessoa que tão bem incorpora este sentimento, afinal, quer amor mais verdadeiro que o amor de mãe?

Não foram elas que nos deram o nosso primeiro colo, ainda dentro do seus corpos, e depois fora deles? Não foram elas, nossas mães, que nos abrigaram nos seus seios e com eles nos alimentaram? Não foram elas as mulheres que se fizeram babás, médicas, professoras, motoristas, amigas e, às vezes, até palhaças - para nos fazerem sorrir - ao longo do nosso crescimento? E, mais, não permanecem sendo elas as pessoas que continuam a nos cercar de cuidado, amor e proteção mesmo quando a criança em nós ficou para trás?

Ah, esses espíritos que aceitam de coração aberto a missão da maternidade... Quão iluminados vocês são! No nosso caso, como PcD's, e pensando sob o ponto de vista da Doutrina Espírita, é incontestável a importância de vocês na nossa vida e caminhada evolutiva. Tal importância é tão imensa, reconhecemos, quanto o amor que demonstram ao aceitarem nos receber como filhos, sabendo de antemão que traremos na bagagem algumas experiências complicadas e uma enorme necessidade de aprendizado.

Quando muitas mulheres vacilam, acabando por optarem pelo aborto, e outras tantas abandonam os próprios filhos ao descobrirem que estes nasceram com algumas limitações, aquelas que abraçam a criança com deficiência que lhes foi concedida, que as aceitam, amam e cuidam, doando o seu tempo, cuidado e amor demonstram não apenas a grandeza dos seus corações, mas que também são capazes de amar de forma incondicional.

E, agora, puxando a sardinha para o nosso lado (meu e do Brayan), e imaginando que talvez esteja falando em nome de muitas pessoas com deficiência também, faço deste post uma carta de gratidão!

Obrigada, mãe, por ter me permitido nascer. Obrigada por ter acreditado em  mim quando a minha aparência física não te prometia nada além de dores e trabalho. Obrigada por ter lutado pela minha saúde, pela minha educação, pela minha sobrevivência e, em especial, pela minha liberdade. Obrigada por ir contra todas as previsões, prognósticos, possibilidades e ter mantido sempre a fé e desejo do melhor para mim no seu coração. E, por fim, embora minha gratidão seja sem limite, eu quero e vou te agradecer sempre pelo seu True Love que me inunda diariamente da força que eu preciso para seguir em frente!

Te Amo desde sempre!!

quinta-feira, 9 de maio de 2019

#AssimComoVocê: Victor Hugo Cavalcante - O Idealizador Do Folkcomunicação

Essa vida de blogueiros exige algumas doses de pesquisa, estudo e socialização. Talvez vocês estranhem o fato de eu estar dizendo isso, uma vez que noventa por cento dos posts aqui no True Love dizem respeito à nossa vida pessoal e nossa história como casal. Mas, a verdade é que mesmo falando na maior parte das vezes sobre nossas experiências, temos sempre todo um cuidado para não cairmos nos meros achismos, já que de certa forma, e ainda que numa pequena escala, a gente fala em nome de todo um segmento social: o das Pessoas com Deficiência.

Levando isso em conta, é que eu estou sempre atenta em notícias, sites, posts em redes sociais e tudo o que possa me trazer não só inspiração para futuras publicações, mas também para possibilidade de conhecer novas pessoas, aumentar nossa rede de contatos e, por que não, fazer novas amizades... Foi dessa forma que eu conheci a Thayama Matos, a Ju Meneses, a Giulia e o Bernardo, a Caroline Costa e, agora, o mais novo convidado da nossa querida #AssimComoVocê: o Victor Cavalcante. É ele o cara por trás do Jornal Folk Comunicação - "Um coletivo de entrevistas, textos e notícias fora dos padrões midiáticos. Onde o popular ganha voz. Onde a comunicação dos marginais ganha vida.".

Quer saber mais sobre o Victor e o Folk? Continuem a leitura!

***

Comunicação em números

Arquivo pessoal
Sempre gostei de ler e escrever história (de fato em uma época da minha vida escrevi para mim mesmo no computador uma coletânea de contos), mas nunca de fato (assim creio eu) contei a história da minha vida.

Minha vida que é cercada por números, conforme especificado no título, começa em 1994, mais precisamente em 23 de janeiro de 1994.

Nascia um bebê com vários problemas, que teve de fazer algumas cirurgias com menos de 01 ano de vida.

Tive por muito tempo da minha vida problema nos rins, até meados de 2006, onde com então 12 anos fiz um transplante, doado por meu pai.

Além dos problemas nos rins também tenho alguns problemas de fala (não consigo falar algumas letras como o G na palavra gato) e algumas deficiências motoras nas mãos.

Embora seja jornalista e extrovertido entre amigos, odeio falar em público.

Mas isso nunca foi um obstáculo na minha vida, talvez por ser desde criança ensinado por meus pais (principalmente por minha mãe) que os problemas que eu carrego no corpo nunca definiriam a pessoa inteligente que eu sou (e não falo aqui de papo de mãe.). Isto acima de tudo me permitiu que toda dor e sofrimento se transformasse em algo muito melhor: A alegria ao rir dos meus problemas (e principalmente das minhas mãos).

Nunca conseguia explicar o que tinha nas mãos e odiava (e ainda odeio um pouco) quando perguntavam porque minhas mãos são do jeito que são, não por raiva ou frustração, mas por não saber explicar o porquê delas serem assim, hoje somente faço piadas contando histórias mirabolantes ou sendo seco e contando que nasci assim.

Como dito antes, minha vida é cercada por números, desde os mais simples como minha idade, 25, até os mais complexos como o número de cirurgias que já fiz desde que nasci (não me recordo o número exato), eis outros números:

Sou transplantado há 12 anos;Sou jornalista formado em Votuporanga há 3 anos, embora seja de fato um comunicador há 6 anos (quando criei o Jornal Folkcomunicação). Embora o Folk exista há seis anos, o transformei em site há 1 ano. Moro em uma família de 3 pessoas (embora meu irmão hoje seja casado e não more mais conosco).Tenho 4 pessoas muito maravilhosas, a quem sempre chamarei de irmãos fraternais.

Enfim algumas pessoas ditas "normais" me olham de maneira estranha, talvez com dó/pena ou por puro preconceito mesmo, mas nem ligo mais porque eu sei o quanto sou verdadeiramente amado e amo, sou feliz e acima de tudo sou capaz de fazer o que BEM QUERER.


segunda-feira, 6 de maio de 2019

Cuidar

Nós e a peteca.

Dá uma sensação terrível quando vemos alguém que amamos ficando doente. Quem é mãe ou pai e já viu um filho acamado sabe bem disso; perde-se noites de sono e consome-se horas em preocupação. Não é diferente quando se trata de um relacionamento de casal. Apesar de termos feito a vacina contra a gripe, Malu e eu fomos pegos pela bendita. Eu estou sofrendo menos sintomas, nada além do nariz incomodando e dos olhos ardendo; já a Malu teve um final de semana difícil, tossindo bastante. Felizmente hoje já estamos um pouco melhores, mas a situação serve como lembrete do dever de cuidado.

Um dever que, aliás, nós observamos há muito tempo. Houve uma vez em que peguei uma virose muito forte; era realmente incapacitante, eu fiquei mole como um papel higiênico molhado e até fui parar na UPA para fazer soro. Na madrugada daquele dia, não dei descanso para a Malu; passei a noite toda vomitando e, toda vez que eu passava mal, lá ia a pequena correr para buscar o balde. Sei o quanto é difícil para ela lidar com essas coisas, mas ela não me deixou na mão; agiu em puro esquecimento de si mesma, como só quem ama é capaz de fazer.

Quando meu dente quase me enlouqueceu de dor eu também recebi o colo da minha princesa. Era uma sexta-feira quando o molar que eu já tinha tratado começou a incomodar, e a dor foi ficando mais forte e se tornou praticamente insuportável. Tive de aguentar o final de semana inteiro até ir ao dentista na segunda e descobrir que tinha duas opções: ou extraía, ou fazia tratamento de canal. Por orgulho (claro), por já ter gasto tanto com meu aparelho para ter um sorriso direito, me recusei a arrancar o dente e gastei uma boa grana com o canal (fora  o sofrimento). Importante é que a Malu esteve do meu lado todos aqueles dias, me vendo tremer de dor e me acolhendo no seu abraço tão maravilhoso. Disso eu também nunca vou me esquecer.

Como namorado, como companheiro e amigo da Malu, eu me empenho em retribuir esse cuidado todo. Apesar de me sentir deveras impotente quando a Malu tem dor de ouvido ou na cabeça, faço o que posso para amenizar os males, sempre lembrando ela que tudo passa e que ela ficará boa. Me vem a lembrança de uma dessas ocasiões, em que deitamos juntos à noite e ela sentia dor de ouvido. Abracei ela contra o meu peito e comecei a conversar, a contar estórias, para distrair ela e fazer com que se esquecesse da dor infame, o que acabou funcionando.

Também posso dizer a vocês das vezes em que a Malu caiu e eu a levantei do chão; nunca me senti tão forte na vida. Não medi esforços; já me aproximei sentado na cadeira, já me apoiei de costas contra a parede, mas consegui agarrar a pequena por baixo dos braços e puxá-la. Na primeira vez que isso aconteceu estávamos no escritório, sozinhos; ela caiu da cadeira e eu a levantei. Quando ficou em pé na minha frente, Malu olhou para mim e começou a chorar. Foi um momento emocionante para nós dois; para ela, por ter se sentido segura e protegida; para mim, foi a prova de que eu posso, sim, cuidar da minha baixinha.

Agora que ela está gripada eu fico aflito, mas não deixo transparecer muito, porque quero ser uma força, um apoio. Aquela famosa fórmula sacramental proferida nas cerimônias de casamento, “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença” se aplica a nós. Não existe virose, nem dente furado, nem gripe tão forte que possa nos abalar. Malu e eu nos cuidamos. E já, já estaremos cem por cento novamente.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Quando Não Há Reciprocidade, Paciência

Imagens Google
Não sou uma pessoa fácil, confesso. Diferente do Brayan que tem um jeito todo sociável e que engata uma conversa facilmente ainda que com um desconhecido, eu sou do time daqueles que na presença de quem não conhecem, inicialmente buscam conforto; que avaliam se existe ou não uma receptividade para, só então, decidirem se vale a pena se abrirem (ou não) para uma nova amizade. Não lembro se em algum momento da minha vida eu fui diferente. É provável que não, uma vez que introspecção e timidez sempre foram características muito fortes em mim.

Contrapondo tal faceta do "jeito Malu de ser", outra característica que pode dizer muito a meu respeito é a intensidade. Sou uma pessoa muito intensa em tudo o que sinto. Dos sentimentos mais bonitos, aos mais inconfessáveis; seja na amizade ou na animosidade; no querer bem ou no desamor. É aquela coisa: se eu gosto de algo ou alguém, eu gosto e pronto! Mas, se por alguma razão, eu não gosto, vixe... Sai de baixo! Eu posso até mudar no tocante a tal modo de sentir, mas essa mudança na maioria das vezes depende de uma reflexão profunda e quase sempre dolorosa da minha parte - pelo menos quando diz respeito a pessoas.

O que quero dizer com tudo isso, gente, é que se por um lado eu tenho uma dificuldade inicial de fazer novas amizades, de me abrir para elas, por outro, quando isso acontece, digo, quando a resistência inicial é vencida, a pessoa entra para o meu círculo de amigos e ganha de vez o green card do meu coração! hahaha Talvez seja exatamente este o motivo que me dá a possibilidade de dizer que sim, eu tenho poucos amigos, mas eles são os melhores amigos do mundo. Esta felicidade à parte, carregar tal intensidade no coração quando ela diz respeito a vínculos estabelecidos não é tão fácil. E sabem por que? Por causa de um fator essencial em toda e qualquer relação: a reciprocidade.

Quantas vezes a gente se abre para um vínculo novo, uma amizade ou um amor, o que seja... Quantas vezes a gente vence os próprios sentimentos de medo e insegurança, e permite que outra pessoa adentre o nosso coração... Nestes contextos, maravilhoso seria se a outra pessoa fizesse o mesmo, né? Se o outro também se abrisse, se permitisse... Mas, isso às vezes e, infelizmente, não é o que acontece. Digo, a gente caminha em direção ao outro, mas ele não vem ao nosso encontro; a gente abre a porta, convida para um café, mas a outra pessoa não se importa e não faz a mínima questão de entrar. Não vou mentir, é difícil quando isso acontece, pode vir a ser doloroso inclusive, mas o que se há de fazer? Se tem algo que não se pode ou se deve forçar são sentimentos e relações...

Mas, como então a gente lida com isso, Malu? Aqui, my dears, eu vou lhes responder com a objetividade e sinceridade de sempre: eu ainda não sei. Na verdade, ainda estou tentando aprender. Ontem mesmo fui posta à prova neste sentido, e foi bem difícil de engolir tal acontecimento, confesso. Investi em um vínculo que para mim era importante, que para a outra pessoa também parecia feliz e promissor; e, do nada, descobri que a porta entre a gente foi abrupta e inexplicavelmente fechada. Foi uma surpresa dolorosa com a qual tentei lidar o dia inteiro e para a qual ainda estou a buscar uma explicação hoje. Se ela virá, não sei...

Queria muito encerrar este post com uma mensagem positiva, contando para vocês sobre uma amizade que embora inusitada, teve o poder de superar o paradigma de que duas mulheres não podem ser amigas pelo simples fato de uma ter se relacionado no passado com o namorado atual da outra. Mas, não foi dessa vez, infelizmente. Em todo caso, termino o texto reforçando que de minha parte, a porta continua aberta, e que os meus desejos continuam os mesmos: Felicidades pra ti, guria! Sucesso, amor e paz na sua vida em todos os sentidos!!