sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Indiretas Já - 3 Anos!

Tem um anjo me chamando de "amor"

De nós dois, sou eu quem guarda e lembra antecipadamente todas as nossas datas. Quando a gente se encontrou pela primeira vez lá no chat do UOL - 20 de julho de 2015; dia de "oficialização" do namoro - 8 de dezembro de 2015; dia em que cheguei com a minha mãe e o meu irmão em Passo Fundo para ir conhecer Brayan e sua família - 7 de outubro de 2016; e, por fim, a data que ele chegou em Granja - 22 de novembro de 2016. Por ser uma romântica assumida e, claro, por ter boa memória, a verdade é que eu gosto de recordar estes dias e, quando a situação ($) permite, comemorá-los também.

Brayan já é diferente. E confesso que perceber esse "esquecimento" dele me incomodou um pouco no início do nosso relacionamento - eu sentia como se ele não se importasse com a gente; hoje, todavia, eu dou é risada e adoro quando vejo o esforço que ele faz para lembrar ou, para fazer parecer que lembra... haha... Esses dias, por exemplo, quando conversávamos na cama antes de dormirmos, perguntei de propósito: - O que nós vamos fazer no dia 8, amor? Imediatamente ele fez todas as conexões mentais possíveis e respondeu demonstrando o maior conhecimento de causa: - Além da sua cirurgia tem o nosso aniversário...

Ri pra valer ao notar que ele jogou verde para colher maduro... Arriscou na resposta e foi salvo pelo gongo. Transparente, tentou argumentar que lembrava da data - ele é advogado, não esqueçam! - mas acabou rindo comigo e confessando que pensou rápido e fez as deduções precisas por causa do "nós" na minha pergunta. Vejam a perspicácia do rapaz...

Mas, nossas risadas à parte, o fato é que amanhã a gente completa 3 anos de namoro, ou pelo menos, 3 anos que modificamos o nível da nossa relação. Se até 7 de dezembro de 2015 fomos apenas amigos, a partir do dia 8 daquele mês passamos a nos reconhecer como namorados e eu lembro de tudo, exatamente como se tivesse acontecido ontem. E é isso o que vou contar para vocês agora...

***

Conversávamos pelo Whatsapp como toda manhã. Nesta, ele me falou de um sonho que teve com a gente. No sonho ele se via chegando aqui em casa, me pedindo em namoro e sendo rechaçado pela minha mãe. Quando tentava me abraçar - ele conta - minha mãe o afastava de mim, o que o deixou aflito, zangado e o fez gritar em alto e bom som que não iria desistir de nós. Esse foi o sonho que ele me contou na manhã do dia 4 de dezembro, agora imaginem vocês como essa pessoinha boba e romântica leu cada uma daquelas palavras na tela do celular! Meu coração por pouco não explodiu dentro do peito e se até aquele momento eu suspeitava que talvez ele estivesse me vendo com outros olhos, depois do relato do tal sonho, as minhas suspeitas - o meu receio e a minha ansiedade - só aumentaram.

Vejam... Nos conhecemos em julho, mas com o estreitar da amizade, um sentimento novo foi nascendo em mim; sentimento contra o qual eu passei a lutar. Tu tá de novo confundindo as coisas, criatura. Aquieta o facho que ele é apenas educado, carinhoso, e só te vê como amiga. Eu repetia todas estas frases para mim mesma diariamente, ainda que também percebesse vindo da parte dele alguns sinais de que eu poderia estar enganada, digo, que ele poderia sim também estar gostando de mim. Assim, no dia que ele me contou o sonho eu pensei algo tipo acorda, menina, tá na cara que isso é uma indireta, né! Vai na fé! E eu simplesmente fui... Na base da indireta também, claro, pois se ele não seria direto por medo de levar um fora, eu tampouco correria esse risco. Corações machucados os nossos...

Dia 8 de dezembro, já no final da manhã, no meio de mais uma das conversa pelo whats, lembro que eu disse algo como "se não fôssemos amigos, acho que poderíamos ser bons namorados". Ele respondeu meio que dizendo que poderíamos ser o que eu quisesse e logo se despediu, estava na hora do almoço. Como ele me solta essa bomba de gás da felicidade no colo e simplesmente sai correndo, me deixando com um sorriso bobo no rosto durante o resto do dia, gente? Não sei, mas foi exatamente o que o Grandão fez, e eu fiquei relendo a mensagem no celular - até ele voltar depois do almoço - e suspirando igual a Bianca da novela "O Cravo e a Rosa" - escutem a música mentalmente... "Meu coração bate ligeiramente apertado...". No seu retorno, já não suportando aquele chove não molha, eu perguntei se o que ele falou mais cedo tinha sido um pedido de namoro. Ele respondeu que sim e depois perguntou se eu fazia questão de mudar o status no Facebook. Eu disse que não, afinal não precisava dar satisfação para ninguém - desculpa aí mãe e pai, esse ninguém não incluiu vocês, tá?! rs

E foi assim que, naquele dia, nasceu a história do casal que hoje vocês conhecem como "o Grandão e a Pequena" ou simplesmente True Love. Dizer que estes três anos foram fáceis seria um excesso de romantismo gigante da minha parte, afinal nenhum relacionamento é constantemente um mar de rosas. A gente enfrentou a distância e o querer estar perto e não poder, a gente vivenciou três términos e teve que vencer o medo, o orgulho, a mágoa... A gente experimentou a alegria do encontro, a tristeza da despedida... A gente superou a saudade, viveu o reencontro, mas, mesmo agora vive todo dia a incerteza do futuro. Apesar de todos estes pesares, todavia, nós estamos e queremos estar sempre juntos, sem rótulos ou padrões, apenas seguindo o compromisso que se faz cada vez mais forte em nossos corações.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Uma Reflexão Sobre o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência

Teste rápido: o que atrai sua atenção na imagem?

Neste 3 de dezembro é celebrado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. A data merece destaque, especialmente porque vem conscientizar a população, dando ênfase à questão da inclusão dos assim denominados deficientes. Porém, devo confessar que tenho certa “bronca” com esta e outras datas.
Quando Malu me pediu para escrever sobre o dia de hoje, algumas das minhas primeiras frases foi: “Só ganha dia especial no calendário quem é minoria. É um dia para a categoria “x” e, no resto do ano, ninguém se importa”. A pequena respondeu que datas assim são dedicadas, justamente, a segmentos da sociedade que não costumam ter seus direitos reconhecidos. Eu vi o lado “ruim”, ela viu o lado bom; nada fora do normal, já que sou o cara do “copo meio vazio” e ela a mulher do “copo meio cheio”. Mesmo assim, penso que os dois, neste caso, têm razão.
Poderia narrar a vocês diversos episódios em que experimentei o preconceito em virtude da minha condição física. Abandono de professores e serventes na escola; perguntas absurdas como a da garota que queria saber se eu “funcionava”; apelidos que recebi, incluindo “doentinho”, “aleijado” e outros; dificuldades para ter acesso a lugares públicos ou mesmo a um simples banheiro, etc.. A Malu já passou os perrengues dela também e não foram poucos; recentemente tivemos o desprazer de encontrar o segurança truculento do show da Sandy, sujeito que não permitiu a aproximação do veículo do Uber, nos obrigando a descer longa rampa. Creiam-me, senti muito prazer em xingar aquele indivíduo.
Meu ponto é: quem tem “deficiências” já experimenta o mundo de uma maneira especial (não necessariamente no sentido bom do termo) e ainda precisa lidar com obstáculos que vão além das próprias dificuldades. Sendo mais específico, nós esbarramos constantemente em problemas que surgem, na verdade, das limitações de outras pessoas. A falta de acessibilidade, por exemplo, denota a falta de consideração dos “perfeitos” para com os que necessitam de maior comodidade para transitar. Os olhares de pena ou a negativa peremptória de oferecer ou permitir ajuda (como no caso do segurança) ilustram a falta de empatia de alguns, que simplesmente não são capazes de se colocarem no lugar de seu próximo; ignoram o fato de que podem, eles mesmos, um dia, necessitarem de auxílio.
Por isso me incomodo com “datas” assim. É como se realmente fôssemos invisíveis ou menos dignos de consideração nos outros 364 dias do ano. Isso pode ser verificado igualmente com relação a outros segmentos que também são “agraciados” com seu dia, como as mulheres e algumas classes profissionais. Ora, bolas, a verdadeira necessidade é a de uma mudança de pensamento da sociedade como um todo. É preciso que cada um se melhore individualmente, trabalhando suas limitações morais, para que o coletivo progrida. De nada adianta pinçar um dia do ano e designá-lo como o “dia das pessoas x”, fazendo toda uma comoção, se depois é para esquecer dos homenageados. É como ser contra a corrupção na política e furar a fila do banco ou não devolver a carteira achada na rua. O nome disso é hipocrisia.
Mas, para não dizer que não falei do lado “bom” da data, admito que é válido dar esse destaque. É bacana lembrar esse povo todo que nós existimos. E aqui aproveito para exaltar um dos (poucos) bons trabalhos que nosso Congresso já realizou, que foi a criação do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Brasileira de Inclusão, Lei nº 13.146/2015). Evidente que eu acho ridículo termos esperado até o ano de 2015 para aprovarmos uma lei que diz, expressamente, por exemplo, que a pessoa com deficiência tem capacidade para exercer direito sexuais e reprodutivos. Mas, novamente, esse parágrafo é pra falar bem, então, sim, a iniciativa merece aplauso e era mesmo muito necessária. Pelo simples motivo de que ainda esperamos por aquele despertar de consciência da sociedade. Até que ocorra, entendamos o Estatuto e outras leis, como a Maria da Penha, como as rodinhas que, um dia, serão retiradas da bicicleta e permitirão a pedalada livre. Afinal de contas, todos somos aprendizes nesse mundo, e quero crer que Deus nos dá essa chance justamente porque tem fé em nós.
Avançamos, não há dúvida. Hoje certamente repugnam ao coletivo algumas práticas de outrora, como a esterilização (verdadeira castração) de pessoas com deficiência. Conheci, há muitos anos, quando era ainda adolescente, um rapaz deficiente físico e mental, que foi coagido à realização desse procedimento; saber daquilo me marcou muito e, confesso, me assustou, pois o ano era, no máximo, 2005. Tranquiliza-me saber que agora essas coisas não são mais vistas com naturalidade. Sei que este país é muito grande e que em seus interiores ainda se verificam condutas absolutamente retrógradas, possivelmente como essa da castração. Mas, não há como negar que as pessoas, no geral, já abriram muito os olhos; certamente ainda melhoraremos.
Reconheço este Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Espero que ele sirva para seu propósito primordial, que é o da conscientização, despertando, o mais que puder, aqueles que ainda estão entorpecidos pela ignorância. No fim das contas, voltamos ao trabalho elementar que devemos realizar sobre nós mesmos. Seja no controle das emoções e impulsos, ou no amadurecimento a partir das próprias experiências, nosso objetivo final é e sempre será evoluirmos. A deficiência é uma prova bastante dura, mas que serve como instrumento de correção dos que a vivenciam. Que tal se ela ajudar os “perfeitos” a se melhorarem também, despertando-lhes a empatia? Pensando bem, todos podem ganhar.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Venenos e Antídotos

Imagens Google
Faço parte de um grupo só de mulheres no Facebook cujo objetivo é o exercício da sororidade e da empatia. Lá, as participantes publicam muitos desabafos e pedidos de ajuda; algumas mais introvertidas o fazem anonimamente através das moderadoras, outras postam abertamente, sem maiores preocupações no tocante à própria identidade. A maioria dos relatos é sobre conflitos de relacionamento (família, namorado/cônjuge), e foi justamente um destes que me chamou a atenção.  Vejam só... A garota, muito bem resolvida por sinal, se queixou do fato de a ex do namorado dela estar insistentemente enviando mensagens para ele. Segundo a mesma, eles terminaram porque, dentre outras coisas, ele teve câncer e a garota exigia passeios, saídas, sem compreender o momento delicado que ele estava passando na época. O conflito entre eles foi tanto que ela (a ex) chegou a traí-lo e por isso eles terminaram. Agora, cinco anos depois, ela reapareceu enviando SMS's, pedindo perdão, agradecendo por ter feito parte da vida dele, reconhecendo ter cometido muitos erros, entre outras coisas... Como não importa detalhar todo o relato da garota lá do grupo aqui no blog, basta dizer apenas que pelos prints dos SMS's que a namorada postou, tanto ela, quanto eu e algumas outras poucas meninas lá do grupo ficamos com a mesma impressão: a ex só precisa se sentir perdoada, sentimento que ela ainda não experimentou porque o rapaz, apesar de ter lhe respondido o primeiro SMS (em concordância da namorada) disse-lhe na ocasião que a perdoava por tudo, mas não queria contato.

Vou pausar um instante este assunto e lembrar o post do Brayan sobre as suas antigas namoradas. Em "Farinha do Mesmo Saco... Florido", o Grandão conta sobre a Larissa (nome fictício por questão de privacidade dela), sua segunda namorada que, assim como ele e eu, também experimenta algumas limitações físicas. O relacionamento deles durou cerca de dois anos e meio entre idas e vindas, e chegou ao fim por imaturidade de ambos. Como já é do conhecimento de vocês que nos acompanham, Brayan e eu jogamos limpo e temos o hábito de conversar abertamente sobre tudo, então, desde a primeira vez que ele me falou sobre a Larissa eu percebi um certo arrependimento nele pelo modo como ele agiu com ela. Entendam, estou me referindo a arrependimento por uma atitude, e não a uma lamentação pelo término; algo como o desejo de que o fim do namoro tivesse acontecido de um jeito diferente. Enfim... Quando eu percebi tal sentimento no Grandão, um pensamento começou a se formar em mim. Tipo, eu sei o que é se sentir culpada. Eu sei o quanto o remorso pode ser doloroso e paralisante. E, por amá-lo, eu não queria que ele carregasse esse peso quando poderia dissolvê-lo através do diálogo e da mútua compreensão. Com isso em mente eu passei por um longo processo de auto-questionamento e reflexão. - Malu, tu quer sugerir que ele procure a Larissa, é? - Quero. - Mas por que, criatura? - Porque ele vai se sentir melhor se conseguir desatar esse nó. - Mas tu não vai tá caçando sarna pra se coçar se sugerir isso pra ele? - Não sei... Acho que não. - Tu vai se sentir segura ao ver ele no Whatsapp ou no Messenger do Facebook conversando com a ex? - Não sei, mas se não, vai ser uma limitação minha que vou ter de trabalhar. Se estou com ele é porque confio, e se o simples fato de ele conversar com uma ex me tirar do eixo, alguma coisa vai estar muito errada comigo.

A partir de tais pensamentos e de mais de dois anos que eu tomei conhecimento da história entre eles e comecei a conversar com os meus próprios botões, eu cheguei para o Brayan dias desses e soltei: "Adiciona a Larissa no Facebook, amor!". Lembro que ele fez uma cara de agora ela endoidou de vez, só pode! Olhando para a expressão no rosto dele e rindo por dentro, eu tentei explicar o que estava pensando e o porquê da minha sugestão.  Acho que ele entendeu porque minutos depois estávamos nós dois procurando o perfil dela no Facebook. Infelizmente não encontramos mais. Corremos para o Instagram e lá estava ela, ele mandou solicitação para segui-la, mas até agora não recebeu nenhuma notificação de que ela aceitou. Um tanto frustrada com tudo isso, eu mesma alguns dias depois pedi para segui-la - quem sabe eu ela aceitasse?! - mas também não obtive nenhuma resposta. A conclusão a que Brayan e eu chegamos, a partir desse vácuo, é que Larissa provavelmente guarda, sim, mágoa pelo ocorrido com eles no passado. Eu não a julgo, o Grandão tampouco. Compreendemos o porquê deste sentimento nela e torcemos juntos para que um dia aconteça uma reaproximação que possibilite o desatar deste nó entre eles. Da minha parte tal torcida se dá porque o amo, desejo vê-lo sem qualquer entrave sentimental, mas também porque me coloco no lugar da Larissa e desejo muito que ela se liberte de qualquer sentimento menos feliz e siga em paz. E, antes que pensem - isso se pensarem -  não, eu não sou a encarnação de nenhum espírito superior não, muito pelo contrário. Sou cheia de defeitos como todo mundo. O fato é que através do estudo do Evangelho, a gente acaba se percebendo como é realmente por dentro, e nesse reconhecimento das nossas limitações e necessidades, a gente passa a desejar melhorar, crescer, evoluir. E isso é um exercício constante.

Mas, voltando ao relato do grupo facebookiano que mencionei no primeiro parágrafo e fazendo uma relação dele com esta nossa experiência como casal, o que quero salientar neste texto - apesar de me reconhecer ainda uma aprendiz na arte de amar - é que o Amor deseja o bem do ser amado, quer vê-lo feliz e sem dores, faz o que pode e o que está ao seu alcance para ajudá-lo na subida rumo ao progresso e ao aprendizado. Jamais supus seguir adiante com o Brayan movida por pura insegurança, egoísmo e sentimento de posse, sabendo que ele se sente mal em relação a um fato infeliz que viveu com outra mulher no passado. Estou longe de ser um mulherão da p@rr# e o exemplo mór de auto confiança, mas saibam que se eu puder fazer algo para ajudá-lo a se libertar deste e de qualquer outro peso, podem ter certeza que vou fazê-lo. Sou assim com todos os que amo e com ele não teria por que ser diferente, certo? Assim, foi por pensar dessa forma que eu sugeri à garota que desabafou lá no grupo que inicialmente procurasse a ex do namorado dela. Se a tal mulher se sentia com remorso e culpada, por que não tentar solucionar o conflito de um modo que as coisas fiquem bem para todos? Mesmo correndo o risco de ser chamada de louca por algumas mais exaltadas que também comentavam o post, eu até perguntei se não havia a possibilidade de um encontro/passeio a três, em que eles pudessem conversar e a ex perceber que ele estava bem, que tinha seguido com a vida dele, que não guardava nenhuma mágoa e portanto não havia motivo para ela se sentir culpada. Quando eu fiz tal sugestão, li surpresa o comentário de uma outra participante: "Maria Luíza, isso é dar asa a cobra.". Eu pensei bastante e até mesmo vi a possibilidade de ela ter razão, mas após alguns minutos de reflexão e trazendo novamente o caso para nós, Brayan e eu, simplesmente respondi que a afirmação dela tanto poderia ser verdade como não, mas que independente disso, o fato é que quando existe segurança, confiança e respeito entre um casal, nenhuma suposta cobra pode atingi-lo com o seu veneno... E, sim, eu acredito realmente nisto.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Por Que Não Seríamos "True Love"

De um passeio esses dias. 

Vocês gostaram de saber que eu tenho um passado que me condena, não é? Foi só falar dessas coisas que o povo se animou... Brincadeira, ficamos sempre felizes com o feedback.
Malu e eu conversamos de tudo mesmo. Ontem à noite deitamos para dormir e ficamos batendo papo, como de costume, falando das coisas do dia, dos sentimentos, enfim, daquilo que nos deixa impressões. Lá pelas tantas, nem sei como o assunto surgiu, falamos sobre como seríamos se não tivéssemos nossas deficiências. Como seriam o Brayan e a Malu “perfeitos”? O pensamento não é novo para nós, assim como as conclusões que tiramos.
Falando por mim, conhecendo meus impulsos e tendências, digo a vocês que, possivelmente, eu não seria um cara muito legal. Considerando minha natureza um tanto belicosa, que tem dificuldade em se conformar e detesta esperar pelas coisas, haveria enorme chance de eu ser um encrenqueiro. Quase certo que viveria me metendo em brigas, machucando algumas pessoas, talvez fosse mesmo preso. Bem, esse meu jeito “guerreiro” faria com que eu me alistasse no exército ou, o mais provável, me levaria a entrar para a polícia. Eu andaria armado, “tocaria o terror” naqueles que eu julgasse inferiores a mim; e claro, cometeria abusos sistemáticos de autoridade, pesando a mão contra quem eu ou algum colega prendêssemos. Acredito que despertaria raiva em muitos sujeitos; talvez até me matassem, vai saber.
Olhando pelo lado “metido a gostosão”, afirmo sem medo de errar que eu seria mulherengo. Esperem, eu já fui, mesmo com deficiência... Enfim, como eu seria o cara fortão, briguento e perigoso, atrairia muitas mulheres e faria muita besteira. A essa altura, provavelmente já teria um ou alguns filhos espalhados por aí e não seria uma boa influência para eles. Acabaria cometendo o que chamamos de abandono afetivo, seria um “pai” ausente e faria as crianças sofrerem desde cedo. Aqui percebo que eu seria muito parecido com o meu pai; metido a galã conquistador, mas muito pouco consciente na hora de assumir a responsabilidade.
Suponhamos, então, que eu encontrasse a Malu e ela também fosse “perfeita”. Pelo que a pequena me disse e pelo que conheço dela, ela seria uma mulher que adoraria ser vista, aparecer. Ela se envaideceria por se relacionar com um homem que brigaria por ela. Como estou agora eu já não toleraria outros caras cobiçando a minha mulher, imaginem tendo poder (plenitude de força física, “autoridade” e/ou uma arma). Alguém ia se dar mal. E eu seria controlador, ciumento e possessivo ao extremo. Enquanto que a Malu seria a mulher que não aceitaria “cabresto”, não toleraria ser controlada ou mandada. Claro que nosso relacionamento seria abusivo, tanto da minha como da parte da Malu. Não seria saudável para nenhum dos dois e nós acabaríamos terminando, mais cedo ou mais tarde. Porém não sem antes termos muitas discussões e brigas.
Notem que eu não controlo a Malu de jeito nenhum, e nem tenho ciúme possessivo dela. Se ela quiser sair com as amigas, pode ficar à vontade; não me oponho se ela quiser viajar sem mim e também não esquento a cabeça se ela posta fotos nas redes sociais. Sou um namorado muito tranquilo. As razões para isso? Bem, ela não é minha propriedade (aliás, ninguém pertence a ninguém); nós estamos juntos para nos ajudarmos e cuidarmos bem; e o principal, eu quero vê-la sempre feliz. Mas eu tenho essa consciência porque sei como é sofrer, sei como é viver sozinho; e valorizo muito o relacionamento que tenho com a minha princesa. Ocorre que, sendo “perfeitos”, nós dois seríamos bastante diferentes; com certeza não seríamos True Love.
Esses pensamentos todos só reforçam o quanto a vida é sábia e o quanto Deus quer o melhor para nós, mesmo que não percebamos. Malu e eu fazemos nossas leituras e ela me ensina muito. Uma das coisas que aprendi é que o universo é regido por uma lei básica, de causa e efeito, ação e reação. Plantamos o que colhemos e, se temos toda a liberdade na semeadura, na hora em que a colheita chegar ela será compulsória; ora, você não colhe cenouras se plantou batatas, a lógica é a mesma: como minha mãe sempre diz, “quem planta vento colhe tempestade”. E eu plantei uma ventania em outros dias, de modo que, agora, recebo a tribulação correspondente. Quer dizer, eu hoje consigo entender e aceitar que possivelmente fiz o mal em uma outra vida, justamente por ter toda a força e o poder que gostaria de ter atualmente. Vejam bem, é uma concepção nossa, que desenvolvemos com estudo; não estamos aqui para praticar proselitismo algum, então está tudo bem se alguém pensar diferente.
É que essa “resposta” foi uma das várias que encontrei ao conhecer o espiritismo. E ela faz sentido pra mim, assim como faz para a Malu. Nós vivemos melhor hoje por compreendermos que as nossas limitações existem por uma razão plenamente justificável. Deus é justo e também é bom; Ele não quer as suas criaturas sofrendo. Na verdade, a dor que é inevitável, mas o sofrimento é opcional, de acordo como nós mesmos lidamos com as coisas. O que me parece certo é que tudo tem um porquê. E eu lembro agora do que a Malu disse no sábado, quando fomos ao centro espírita: a vida é pedagógica, ela quer nos ensinar e não nos punir. Estamos em uma espécie de escola, tendo a oportunidade de aprendermos todos os dias. Alguns “alunos” precisam frequentar classes especiais para compreender melhor as coisas. Creio que estamos na turma dos “deficientes” para aprendermos a lidar com nossa liberdade. Assim como os que estão na turma dos “ricos” estão lá para aprender a lidar com o poder; ou como os que estão na turma dos “pobres”, que devem aprender a valorizar o que têm ou não têm.
Dito tudo isso, concluo que, se Malu e eu não tivéssemos nossas limitações, seríamos pessoas totalmente diferentes. E nos relacionaríamos também de forma completamente diversa, possivelmente cometendo excessos e plantando sementes daninhas, cujo fruto logo colheríamos, sem fuga. Não que eu, Brayan, seja ou tenha me tornado o cara que mais aceita as coisas na face da Terra; pelo contrário, tem dias que eu me revolto, que eu não “engulo” muita coisa na minha vida. Mas preciso ver sentido em tudo, então procuro controlar meus impulsos da melhor forma. O que me falta é ser mais grato; por ter saúde; por ter, apesar das limitações, as possibilidades que faltam a muitos; por ter duas famílias que me amam e uma mulher maravilhosa que torna meus dias mais coloridos.
Costumo dizer que “Deus não dá asa a cobra”. Ao falar isso, me sinto a própria serpente, algo no mais profundo do meu ser sabe que boa coisa eu não fui e ainda estou longe de me tornar pra valer. Mas a estrada é assim, de aprendizado, erros, acertos, tombos e glórias. Tenho mais paz hoje porque compreendo que mereço minhas limitações. É muito melhor do que viver apontando o dedo para o cara lá de cima, revoltado e perguntando: “Por que eu??”. Fico feliz por saber que Malu e eu estamos na mesma “turma”. Sentamos juntos, aprendemos juntos e passamos pelas provas de mãos dadas. Somos True Love porque a vida nos deu a chance de melhorarmos. Vou sempre agradecer por isso.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Nós Quatro

Indubitavelmente

Como reencarnacionista que sou, costumo pensar neles como pessoas que escolheram me acompanhar numa aventura, sabendo que esta seria marcada por experiências que, em sua grande maioria, não seriam nada confortáveis. Minhas irmãs e meu irmão: o que seria de mim sem estas pessoinhas na minha vida?

Conforme já comentei em posts anteriores, sou a primeira de quatro filhos. Eu nasci em 85, Luzi nasceu em 86, Nara em 89 e o Jessé - vulgo Cabeção e amor da minha vida - veio completar nossa trupe em 1996. Com as meninas eu tive uma infância perfeita, cheia de brincadeiras, estripulias, brigas e confusões; já com o Jessé, do alto dos meus onze anos e vestindo a carapuça da irmã mais velha quando ele nasceu, eu por muito tempo desgastei a nossa relação.

É interessante pensar sobre isso...

Talvez pelo fato de termos praticamente crescido juntas - as meninas e eu -, ou por muitas vezes terem sido elas quem me cuidaram e protegeram, o fato é que eu não sentia responsabilidade nenhuma em relação ao comportamento e a educação delas. Com o Jessé, todavia, o sentimento foi completamente diferente.

Se Luzi, Nara e eu aprontávamos todas, geralmente a partir de ideias minhas, com o Jessé eu sempre me senti na obrigação de fazer o certo, dar o exemplo, ensinar, ainda que para fazer isso eu acabasse fazendo tudo errado - bem naquele estilo "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Um horror isso, né?

Lembro de uma vez que ele estava brincando na rua e eu fui chamá-lo para tomar banho. Chamei uma, duas, três vezes, na quarta eu já estava aos gritos. Naturalmente, sem querer obedecer, ele entrou reclamando e gritando também. E isso foi o suficiente para brigarmos. Detalhe: eu tinha 19 anos e ele 8.

Hoje as coisas melhoraram infinitamente entre a gente. Se por um lado ele deixou de ser o menininho que queria passar o dia inteiro na rua, e cresceu, por outro eu graças a Deus consegui me livrar do sentimento de posse/controle que me fazia a todo custo querer que ele fosse/agisse sempre de acordo com aquilo que EU julgava certo para ele. Até para querer bem e desejar o bem para o outro, a gente precisa ter equilíbrio, certo?

A verdade é que relações tão íntimas como a de irmãos, pais e filhos, namorados/cônjuges e até mesmo melhores amigos exigem da gente uma certa dose de flexibilidade, empatia, paciência e sobretudo respeito. E a gente só aprende e percebe isso na prática, se relacionando, errando, perdoando, aceitando o outro como ele é... Amando.

Se antes eu já tinha consciência da enorme importância das meninas e do Cabeção na minha vida, hoje e cada vez mais eu percebo o quanto eles - cada um ao seu modo e do seu jeito - são fundamentais para que a minha cota de felicidade esteja sempre completa. Se Brayan é a cereja mais linda que o Universo poderia ter trazido para colorir o bolo da minha vida, meus irmãos são simplesmente a cobertura mais perfeita!

Amor e Gratidão por vocês e a vocês, sempre!

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Por Que Fui Cafajeste - Um Texto Para Maiores de Dezoito Anos (ou Grandes de Coração)

Imagens Google

Algo fantástico no meu namoro com a Malu é que nós conversamos sobre tudo. Não sei quantos casais têm essa liberdade, esse conforto em abordar todo tipo de assunto, mas nós dois falamos de tudo mesmo, incluindo as experiências que tivemos no passado. A minha pequena sabe que agitei muito mais, e posso dizer que, em certa medida, sou mais “rodado” que prato de micro-ondas. Sim, eu conheci muitas mulheres, tive mais encontros sem compromisso do que relacionamentos. Mas, ao contrário do que eu pensava, a Malu não se incomoda em falar sobre o que fiz antes de nos encontrarmos. Às vezes é até curioso como ela fala ou pergunta com naturalidade a respeito dos meus namoros anteriores, ou das coisas que aprontei.
Bem, eu não vou produzir provas contra mim mesmo. Basta dizer que tive minha fase “vida loka”, especificamente no quesito relacionamentos. Realmente foi a única área em que chutei o balde pra valer e fiz muita arte. É, eu também tomei alguns porres épicos, mas essa já é outra história. Já contei para vocês que fui um tanto quanto cafajeste em certa época, muito por estar revoltado e decepcionado com as mulheres. Faltou explicar o outro lado da questão, um prisma que, pelo menos pra mim, é mais justificável.
Pessoas com “deficiência”. Puxa vida, temos limites desde cedo; a vida tem que ser adaptada, as coisas precisam ser feitas com ajuda ou de maneira especial, o próprio mundo se apresenta a nós de maneira peculiar. E, então, nós crescemos e chega o momento em que sentimos certas necessidades. Ora, podemos ter nossas limitações, mas somos bem normais em vários quesitos, como o da intimidade. A grande pergunta é: como atender àqueles impulsos? Os obstáculos a superar vão muito além da “deficiência”; são muito maiores do que precisar de um andador ou de uma cadeira de rodas. Tomando minha própria experiência como exemplo, além do fato das minhas dificuldades, eu me defrontei com a difícil questão de como poderia despertar interesse em outro alguém. Como alguém com “deficiência” pode ser desejado?
Se, para pessoas ditas “normais”, muitas vezes já é complicado lidar com as imperfeições do corpo (um pneuzinho, uma estria), calculem como é para quem tem dificuldades físicas reais. Isso pode ser uma verdadeira bomba contra a autoestima, e eu senti na pele o quanto é ruim olhar para mim mesmo e pensar “Puxa, que mulher vai querer fazer alguma coisa comigo se sou desse jeito?”. Ah, eu invejava os caras mais altos, mais fortes do que eu, que despertavam o desejo feminino sem grandes dificuldades. Na adolescência já via meus amigos namorando, “ficando” com as meninas, e eu lá, com o meu cavalo branco (meu andador), me sentindo muitas vezes um saco de lixo. Vocês devem ter pego a ideia, ter  “deficiência” é ter de fazer um esforço a mais para ser notado.
A internet abriu muitas oportunidades pra mim. Foi por meio dela que conheci minhas primeiras namoradas e, quando as decepções vieram, eu decidi usar aquela ferramenta para buscar a satisfação das minhas necessidades. Como eu já estava frustrado amorosamente, entrei de cabeça nos sites de relacionamento e passei a conversar com muitas mulheres. Isso foi bom porque me tirou o medo delas, eu já era capaz de me mostrar interessante e despertar desejos nelas (acreditem, li e vi cada coisa que vocês nem podem imaginar). O problema era quando eu tinha que contar sobre minhas limitações. Até então eu era o cara que conversava de maneira envolvente, que atraía o interesse; aí eu contava da “deficiência” e o jogo virava. Foram muitas as que me dispensaram ao saber dos meus limites; algumas tentaram me colocar na “friendzone”. Era uma droga.
Porém, houve mulheres que não mudaram a forma como me “viam” e, então, eu comecei a ter as experiências que tanto precisava viver. Foram muitas, reconheço. Evidente que não quero deturpar este espaço com detalhes do que fiz, mas a Malu sabe que aprontei pra valer. E sabe também que eu não fiz isso tudo apenas para satisfazer necessidades físicas. Mais que isso, eu queria me afirmar. Eu queria me sentir homem de verdade, sabendo que tinha tido “x” relacionamentos, “x” encontros quentes; precisava preencher um vácuo interno que foi se formando desde a adolescência, uma fase de solidão e vontade contida. Eu fui beijar na boca com dezoito anos, pessoal, com minha primeira namorada que conheci em um site. Apenas imaginem o drama. Todo ser humano tem suas vontades e viver me contendo, por ter uma “deficiência” e não ser desejado, era um inferno. Por isso eu me joguei e por isso eu disse que minhas aventuras foram justificáveis, embora eu tenha me arriscado bastante. Meu anjo da guarda merecia ganhar um adicional.
Então o primeiro problema para alguém com limitações é como ser desejado apesar da “deficiência”. O segundo problema é lidar com a dependência de outras pessoas para fazer as coisas. Sim, o buraco é mais embaixo. Ok, suponhamos que lá estava o Brayan conversando virtualmente com uma mulher, e que ela me desejou; ela queria me encontrar e fazer arte. Legal, eu consegui. Mas, como chegar até ela? Como sair de casa se preciso de ajuda? Como vencer o medo da minha família, que poderia se preocupar tanto a ponto de vetar meu encontro? Nesse quesito eu sempre fui firme (e bem criativo), então combinava carona com as mulheres que conhecia e saíamos. Minha mãe se preocupava, mas acho que sabia que eu precisava viver certas coisas. Bom, tem várias que eu fiz que ela nem sonha kkkk. O que estou dizendo é que o problema é maior do que a “deficiência”; nós dependemos dos outros e eu juro que odeio isso profundamente, mas fazer o quê? O jeito que encontrei foi contornar na cara e na coragem. E foi o que fiz.
Só que eu sou homem e minhas dificuldades não são tão incapacitantes (graças a Deus). Imaginem uma mulher com deficiência; ou mesmo um homem “deficiente” e cujas dificuldades são de maior monta. Essas pessoas, sem nenhuma dúvida, terão muito mais problemas para satisfazerem suas necessidades mais íntimas. E, poxa, isso é um direito que todas as pessoas têm! Todos, sejam homens ou mulheres, têm a prerrogativa de exercitarem seus impulsos, de viverem experiências e ninguém tem nada com isso. Claro que eu penso que a promiscuidade deve ser evitada, porque sempre cobra seu preço; mas estou falando de liberdade, de livre arbítrio, de autodeterminação. E então penso nessas pessoas, homens ou mulheres, que têm limitações maiores do que as minhas e que têm mais dificuldade em serem desejadas; que precisam de mais ajuda; que preocupam muito mais as suas famílias. Ele (a)s todo (a)s merecem satisfazer seus desejos, matar suas vontades e, em última análise, serem felizes! Eu não consigo me conformar sabendo que esse povo está por aí vivendo na tristeza e se contendo. E fico p da vida se ouço alguém dizer que eles não têm direito de escolher o que querem fazer. É um insulto.
Se pude viver as minhas experiências, matando minhas vontades e conhecendo pra valer como é uma mulher, foi porque eu fui atrás e usei o que tinha ao meu alcance. Dei a cara pra bater, me arrisquei muitas vezes, mas vivi. Fui lá e fiz, e na maioria dessas ocasiões foi bom. Infelizmente, nem todos que tem “deficiência” podem fazer o mesmo. Seja pelas próprias limitações que os incapacitam, seja pelo exagerado temor ou mesmo controle dos familiares, seja porque muita gente não acha um “deficiente” atraente. Eu lamento tanto por isso, fico tão triste por saber que lá fora há milhões de pessoas que, mesmo andando com apoio ou com rodas, sentem aquela fome tão única e não podem matá-la. Não consigo me conformar; tudo o que me resta é confiar (sim, confiar, tão difícil) que Deus permite todas as dores por um motivo; que Ele escreve certo por linhas tortas e que todos os que sofrem obterão sua redenção um dia.

***

O sorteio da camiseta da Boutique Judith foi realizado no dia 22/10. A divulgação foi feita na nossa página do Facebook e a ganhadora foi a Maria Nathália, do Blog Maria Conta Aí.... Como ela ainda não entrou em contato com a gente, pedimos que o faça em 24 hs; se não houver resposta, faremos um novo sorteio. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Primeira Aventura do True Love: O Show da Sandy


Montagem com fotos cedidas para o blog pela Luciana e pela Nayara, meninas do grupo do Whatsapp "Pessoas lesas pela Planner". 

"A dependência física é o mais difícil limite imposto pelo corpo e o melhor cinzel para a lapidação da alma."

Antes da Viagem

Escrevi o pensamento-desabafo acima no Facebook, na manhã de sábado, dia 10, exatamente no dia do show da Sandy, depois de algumas horas de aflição e de quase ter cancelado a viagem e desistido do show e de todo o resto. O que posso dizer sobre estes momentos que marcaram o fim da nossa noite de sexta e toda a manhã do sábado? Que eles foram tensos e reveladores...

Brayan e eu estávamos com tudo programado há quase um mês: compramos a mesa, combinamos com a pessoa que nos levaria para Fortaleza e ao show, acertamos com a minha prima que ficaríamos na casa dela, falei antecipadamente com o pessoal da Planner Eventos (empresa promotora do show) para me informar sobre acessibilidade do local e o atendimento destinado às pessoas com deficiência, enfim...  Como a pessoa extremamente metódica que eu sou, conhecendo as nossas necessidades individuais e sabendo o quanto Brayan precisa ter um certo controle nas mãos, eu fiz questão de programar todos os detalhes. Era a primeira viagem a passeio que faríamos sozinhos e eu não queria que nada errado acontecesse. Mas, quero acreditar que por questões que o Universo explica e a gente ainda não entende, nem tudo acontece como planejamos/desejamos, né? E o melhor para nós é que aceitemos isso.

Pois bem. Tudo começou a sair fora do que eu tinha planejado quando a pessoa que nos levaria para Fortaleza e, consequentemente, ao show desistiu em cima da hora de nos levar ao La Maison (local onde aconteceria o evento). Deste momento em diante Brayan e eu não tivemos mais sossego. De início contatei quem eu pude lá em Fortaleza em busca de alguém que pudesse nos levar. Minha tia, meus primos... Mobilizei uma galera para tentar resolver nosso problema e nada tenho a reclamar neste ponto: todo mundo tentou ajudar! Valeu mesmo, galera!

Para resumir o causo, o que vocês aqui no blog precisam saber é que pelo menos no tocante à nossa ida, nada saiu como o planejado - e hoje, tendo em vista tudo o que aconteceu lá no show, eu só posso agradecer a Deus por isso. Dizem que O Cara lá de cima escreve certo por linhas tortas, né? Então... Meu tio foi quem, mesmo doente, acabou viajando com a gente e nos levando ao show. Graças à disponibilidade dele chegamos a tempo em Fortaleza e, principalmente, ao La Maison. E foi lá que uma das noites mais incríveis da minha vida aconteceu.

Mas, antes de falar sobre a linda da Sandy e como o show (no que dependia dela) foi incrível, tomo a liberdade de deixar no post uma dica de ouro: sejam gratos! Agradeçam pela liberdade de ir e vir que lhes foi dada, e ainda que não a tenham completamente - assim como Brayan e eu -, agradeçam pela presença das pessoas com quem vocês podem verdadeiramente contar. No fim, são elas, ou melhor, é o amor que vem delas (nas mais variadas formas) que faz tudo valer a pena!

Em Fortaleza

Chegamos com tempo de sobra ao La Maison. E por isso eu agradeço muito a Deus e ao Dan - daqui a pouco vocês vão entender o porquê. Como eu já tinha sido orientada pela Flávia - uma das moças que falou comigo em nome da promotora do show, via Whatsapp -, pedi ao meu tio para se informar sobre o estacionamento reservado para PcD's; e qual não foi a minha surpresa ao saber que era o mesmo destinado ao restante do público? Começamos então a contabilizar os "fora" da Planner: 1° - a informação de que o estacionamento era acessível e bem próximo do espaço das mesas não se confirmou verdadeira.

Desci do carro com a ajuda da Kel, uma das minhas amigas que também foi com a gente. Brayan desceu com a ajuda do Dan. E, Marcela, minha prima, foi abrindo o caminho na fila que já se encontrava imensa. Uma moça ofereceu ajuda logo que me viu - eu até pensei que ela fazia parte da organização do Show, mas não, era tão fã da Sandy quanto eu - e foi de mãos dadas com ela e com a Kel que consegui subir aquela bendita calçada e chegar aos portões. Brayan veio um pouco atrás com o meu tio, enquanto Marcela seguia na frente com o caminhador. Não preciso dizer que nesse momento eu já estava p da vida (por dentro), né? Fiz de um tudo para evitar que o Grandão passasse por todo aquele perrengue e não consegui.

Chegamos no portão. Eu, um "amorzinho" em forma de pessoa, já fui logo dizendo: "a gente tem autorização para entrar agora". A moça do portão me olhou e só pediu os nossos nomes. Entramos. Caminhamos mais uns vinte metros  até finalmente entrarmos de fato no prédio. Aqui eu já estava para "colocar os meus bofes para fora", como a gente fala aqui no Ceará quando quer dizer que está cansado; mas eu não queria demonstrar, então mantive a pose! haha Como já estávamos em segurança, Dan foi embora e Brayan assumiu as rédeas do Cavalo Branco (caminhador dele).

Olhei ao nosso redor e enxerguei o palco, as mesas, umas grades e um trajeto até um pouco longo a ser percorrido. Confesso que naquela hora tive vontade de eu mesma abrir um espaço entre as grades, mas pensei, "já chegamos até aqui, então bora até o fim!". Pelo menos agora o piso era nivelado e não exigiria tanto de nós dois. Seguimos em direção às mesas. Graças a Deus nesse momento o pessoal da Planner foi bem receptivo; um cara nos atendeu e indicou uma moça que, por sua vez, nos levou até o nosso local: mesa 54, na terceira fila, estrategicamente colocada de frente ao centro do palco. Quando, já acomodados, eu me dei conta de que teria uma visão privilegiada do show, até o cansaço passou!

Nós e as meninas

***

Era ainda por volta das 20:15. Pelo que foi divulgado pela produção do show, ele começaria às 21:30, então tínhamos uma boa uma hora e meia de espera pela frente. Nada que tiraria o nosso sossego se, pelo fato de toda aquela andança, Brayan, as meninas e eu não estivéssemos literalmente m o r r e n d o de sede. "Bora chamar logo o garçom!" - falamos todos por uma boca só. E foi aqui que contabilizamos o 2° fora da Planner: voucher's & bar.

Como compramos a mesa, tínhamos direito a R$ 200,00 de consumo. Dessa forma, o que era pra ser algo simples se tivesse havido um mínimo de organização por parte da promotora, se tornou um contratempo tão grande que quase nos fez perder este direito e passar o show inteiro com sede. Quando o garçom veio nos atender, pediu o tal voucher. Não tínhamos. "Mas não entregaram para vocês lá na entrada?". A gente só olhou um para a cara do outro. "Vamos atrás deste bendito voucher".

Marcela foi a primeira a ir. Depois de mais de meia hora, ela voltou com 16 pulseiras. "Beleza. Problema resolvido", pensei. Chamamos um garçom novamente. "Mas essas pulseiras são do Open Bar lá em cima. Se vocês quiserem é só ir pegar porque a gente não tem autorização para servir." Conclusão: entregaram errado as pulseiras pra gente. E lá vai a Raquel atrás do tal voucher. 

Quando eu já estava aflita porque o show estava perto de começar - e segundo informação de todos os garçons não seria possível pedir mais nada depois que a Sandy entrasse no palco - ela chegou trazendo o papelzinho mais esperado da minha vida nos últimos tempos. Ponto para você, Kelzinha!

Com o voucher em mãos finalmente conseguimos fazer nosso pedido: 4 águas, 2 latas de refrigerante, 1 RedBull e 17 cervejas. Ora, ou pedíamos tudo isso de uma vez só, ou ficaríamos no prejuízo! E o meu pensamento foi: "esse show tem de valer a pena para o Grandão também!" Pedidos feitos, cinco minutos depois mais ou menos as luzes do palco acenderam. A Sandy iria entrar...

O Show: Nós, Voz & Eles - Sandy

Um adendo antes de começar a escrever sobre o show em si: em nenhum dos dias que o antecederam, desde o momento em que comprei a mesa, até o que me vi sentada lá de frente para o palco, eu me senti ansiosa. Juro! Tinha aquela coisa do "ah, tá chegando o dia!", mas nada comparado à minha excitação quando fui ao primeiro show com ela - justo o de encerramento da dupla - em 2007. E acho que foi justamente esta ausência de ansiedade e expectativa o que fez com que eu mesma me surpreendesse ao ver a linda da Sandy entrar naquele palco.

Caraca, gente! Só lembro que meu coração bateu forte, que senti um nó na garganta e quando dei por mim estava "fazendo beicinho" segurando o choro. hahaha Eu sentia Brayan e Raquel me observando - a Marcela estava ocupada demais filmando o palco - e não queria bancar a "chorona da Sandy", mas cadê que me controlei? Quando ela cantou o refrão de Respirar, eu desabei, me conformei e comecei a cantar enxugando os cantos dos olhos...


"(...) Eu abro as asas e preparo a alma pra respirar, pra respirar 
Eu abro as asas e preparo a alma pra respirar, pra respirar (...)"



Bom, de resto não tenho muito o que comentar. Estar ali naquele show com as meninas e com o Brayan, vendo de pertinho uma artista que eu acompanho e curto desde pequena, que marcou com as suas músicas muito da minha vida, que cantou o início da minha história com o Grandão mesmo antes da gente se conhecer, que faz parte da trilha sonora do nosso relacionamento com as suas músicas novas foi incrível!!

Fotos: Nayara
Sandy - Fortaleza

E aqui eu preciso ser justa e confessar algo: muuitoooo da emoção que me levou ao choro se deu pelo fato do Brayan estar ao meu lado, afinal é ele quem faz o turu-turu do meu coração; foi por causa dele que eu passei a ter inveja do sol que o aquecia e do vento que o tocava quando a gente ainda morava distante um do outro; é ele o homem que faz com que eu me sinta perdida e salva; e finalmente foi nos braços dele que eu encontrei o lugar perfeito para o amor viver. Amor, obrigada por ter cumprido a promessa e ido a esse show comigo. Obrigada por ter me cuidado e protegido. Amo você!

Aliás, no quesito cuidado e proteção, eu não tenho do que reclamar. Dan (meu tio) e Nayana (esposa dele que também viajou com a gente), Marcela, Raquel e Brayan foram impecáveis. Quando o show terminou a gente ainda combinou de esperar o espaço esvaziar, porque além das mesas estarem muito próximas umas das outras, a lotação de pessoas era absurda. Não tinha como a gente sair imediatamente. Esperamos uns 20 minutos e ninguém saia, até que Brayan e eu nos olhamos. "Amor, você vai na frente abrindo o caminho" - eu disse. "Fechou!" - ele respondeu. E assim a gente conseguiu sair.

Mas se vocês estão pensando que a nossa aventura terminou junto com o show, ajeitem a postura se estiverem sentados, e nos acompanhem mais um pouquinho. Contarei agora o 3° fora da Planner.

Saímos do prédio do La Maison, andamos toda aquela área até o primeiro portão. Novamente contando com a ajuda de quem também foi assistir o show, começamos a descer parte da calçada que margeia o estacionamento. Mas eu estava cansada e sabia que o Brayan também, então pedi a Kel para pararmos e ela chamar o Uber, solicitando que ele entrasse para nos pegar onde estávamos. Se tudo tivesse saído como a gente desejava, teríamos encerrado a noite com tranquilidade, mas quem disse que o senhor segurança responsável pela entrada dos carros quis colaborar? O motorista do Uber explicou o porquê de querer entrar, a Raquel desceu até lá e praticamente implorou para ele autorizar explicando toda a situação, mas o moço ficou irredutível.

Brayan e eu descemos todo aquele caminho. Novamente p da vida pelo Grandão ter que caminhar tanto já estando tão cansado, eu só consegui passar pelo tal segurança e dizer "muito obrigada pela sua enorme boa vontade, moço!" e entrar no carro com a ajuda da Raquel. Já acomodada comecei a ouvir o Brayan, que literalmente colocou a boca no trombone, exigindo bom senso do rapaz. Isso, claro, do jeito mais Brayan Chaves de ser. Graças a Deus o segurança seguiu a risca à ordem de ficar onde estava, caso contrário suponho que ele teria dado de cara com o Cavalo Branco sem querer...

Bom, para finalizar este post, apesar de todos os perrengues que passamos por conta da desorganização da Planner Eventos e de quase termos perdido nossa mesa (lembram que agradecemos a Deus por termos chegado mais cedo? Pois é, eles venderam nossa mesa ao mesmo tempo pela loja no shopping e pelo site), só me ocorre utilizar a letra de uma das músicas da Sandy, da época em que ela ainda fazia dupla com o Júnior. Naquele show, naquela noite "...eu acho que pirei, meus pés saíram do chão. Eu posso até voar, segura o meu coração. Até me belisquei, será que é ilusão? O que eu senti não dá pra explicar…". Foi um show simplesmente lindo!!

Fotos: Nayara
Sandy - Fortaleza

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Ps: Não postei as fotos que eu mesma tirei por causa da qualidade. O vídeo da abertura do show, todavia, este é meu. ♡