domingo, 16 de janeiro de 2022

Para Sempre True Love

 

Arquivo pessoal

Olá, pessoal! Aqui é o Brayan quem escreve. Fazia bastante tempo que eu não passava por aqui, em parte pelo agito do dia a dia, em parte por simples falta de saber o que dizer a vcs. Porém, hoje temos assunto e acredito que causarei surpresa a todos e todas que lerem estas linhas.

Malu e eu terminamos.

É verdade, não estamos “trollando”. Nós optamos por encerrar o nosso relacionamento. Amigavelmente, de comum acordo. Não houve briga, não aconteceu discussão, nosso rompimento não se deu por qualquer motivo ruim. Estamos de bem, muito bem. Talvez estejamos até nos dando melhor nesses últimos dias, o que pode parecer incrível para outras pessoas. O que não significa que esteja sendo fácil.

Bem, já há algum tempo, Malu e eu vínhamos mais como amigos do que como namorados. Isso acontece com muitos casais. A relação vai se transformando, o tempo passa. E, para nós, chegou um momento em que tomamos consciência de que já não estávamos mais juntos como antes, embora dividindo o mesmo teto e convivendo no dia a dia. De certa forma, meio que fomos tapando o sol com a peneira, fingindo que as coisas não estavam mudando. Só que a verdade sempre vem à tona, mesmo que demore. Acabamos despertando para a realidade e o resto foi apenas consequência.

Malu e eu voltamos a ser e permaneceremos sendo amigos, melhores amigos de coração. Queremos a felicidade um do outro e isso jamais irá mudar. A base que nos uniu nesses seis anos e meio continua a mesma: o amor. E o amor não precisa se manifestar apenas no contexto de um relacionamento de casal, ele pode ser expresso no cuidado e no carinho, no interesse de ver o outro feliz. Eu quero ser amigo da Malu pelo resto da minha vida e sei que ela sente o mesmo por mim.  Assim seguiremos.

Quanto ao blog e aos perfis nas redes sociais, continuarão todos no ar da mesma forma. Os textos que escrevemos, a história que compartilhamos, tudo ficará aqui, para quem quiser ler e reler. Sem modéstia, sabemos que inspiramos muitas pessoas nesse tempo todo, apesar de nunca termos tido a intenção de bancarmos o casal “modelo”. Nosso foco de agora em diante será a pauta das pessoas com deficiência; iremos atualizando as postagens sempre que possível.

Fiquem tranquilos! Malu e eu somos amigos e nos amamos! Tudo vai ficar bem.

Pessoalmente, quero registrar o meu agradecimento a todos e todas vcs que vêm nos acompanhando nesse tempo.   

E quero dizer mais.

Nós nunca planejamos que nosso relacionamento chegasse ao fim. Admitíamos a possibilidade de, no futuro, voltarmos a ser “apenas” amigos, mas isso porque somos adultos e sabemos que “n” circunstâncias poderiam nos levar a isso. Aliás, como, de fato, está acontecendo. Nesses pouco mais de seis anos e meio de namoro, aprendemos muitas coisas juntos, mudamos paradigmas, vencemos crenças limitantes, amadurecemos, numa palavra. Não pensem que esse período está sendo fácil para nenhum de nós dois, mas é preciso seguir em frente e eu farei isso guardando comigo tudo de bom que vivi ao lado da Malu. Jamais fomos um casal perfeito, como algumas pessoas podem supor; tivemos discordâncias, discussões, porém nossas diferenças não nos impediram de sermos felizes.

Seguiremos separados, mas seremos, para sempre, True Love.

 

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

"O Ministro Atrapalha a Educação" - dizem crianças com deficiência*

"Cala a boca, ministro!" -     Imagens Google/Edição Malu
 


                                                      
 
Sou formada em Serviço Social e apesar de essa nunca ter sido a faculdade dos meus sonhos, confesso que a sua praxis veio muito ao encontro dos valores que carrego comigo. Digo isso porque estou entre as pessoas que, por exemplo, acreditam que por trás de quase toda prática de violência, abuso, preconceito e discriminação existe alguém que foi violentado, abusado, alvo de atitudes preconceituosas e discriminatórias. Ah, Malu, então você está justificando tudo isso? Em outras palavras, dizendo que criminosos não devem ser presos, punidos? Mas é óbvio que não! O que estou falando aqui é que a punição por si só não resolve nada além de satisfazer nosso inconsciente desejo de vingança coletivo; que pessoas que cometem crimes precisam também passar por um processo de acolhimento e educação, pois só assim conseguiremos erradicar a violência - nas suas mais variadas formas - da nossa sociedade. 

Eu disse tudo o que escrevi acima porque um fato ocorrido há alguns dias, e que tem tudo a ver com a temática do blog, trouxe de novo um questionamento que vem fazendo parte dos meus pensamentos desde a ascensão do Bolsonaro ao cargo máximo do poder no Brasil. Indo direto ao cerne do tema objetivado para este post, meu questionamento é: de onde vem o pensamento violento e preconceituoso que fundamenta as manifestações do presidente e de todos os que o acompanham, como, por exemplo, Milton Ribeiro - atual Ministro da Educação? Qual a gênese da opinião dele - descaradamente expressa, ressalto - no tocante às crianças com deficiência? Por que cargas d'água o senhor ministro acredita que elas, as crianças com deficiência, atrapalham o rendimento e o aprendizado das demais? Não que a origem de tal opinião justifique o fato de ele, um homem adulto e senhor de idade já, mantê-la até hoje, mas é que a forma como ele a manifesta, sem o mínimo pudor, dá o que pensar...

Cá aqui com os meus botões eu fico me perguntando se ele, Ministro da Educação, Bolsonaro e tantos outros que também já deram mostras de alimentarem opiniões semelhantes tiveram a oportunidade de conviver com crianças com deficiência na infância. Se eles desfrutam, depois de adultos, do convívio com outras pessoas que representam as minorias sociais e, consequentemente, a diversidade. E, o mais importante, se ao terem tido ou tendo atualmente tal oportunidade, se eles as aproveitaram/aproveitam de fato. Inicialmente este pode ser um questionamento simplista já que o convívio com o outro, independente de como ou quem ele seja, já é por si mesmo uma possibilidade e tanto de desenvolvimento moral e pessoal. Mas, feita tal ressalva, não se pode negar que, quando a gente tem a oportunidade de pensar fora da caixinha, ou seja, de conviver com o diferente de nós, é como se tivéssemos ao nosso alcance recursos a mais para o nosso aprendizado. Ou alguém discorda que é no exercício do respeito à diversidade que existe o crescimento?

Para ilustrar o que falei acima eu nem preciso ir muito longe. Já escrevi em um dos posts inicialmente publicados aqui no blog sobre os meus priminhos - Ananda e Arthur. Eles nasceram em 2010, hoje tem 11 anos e desde os seus primeiros dias de vida conviveram comigo e, consequentemente, com a minha deficiência. Tal convivência não só fez nascer entre a gente um amor genuíno como também possibilitou que eles desenvolvessem um olhar acolhedor e sem preconceito para com as diferenças. A curiosidade infantil permanece, óbvio, mas ela não é e nunca foi manchada pelo medo, pela reprovação e tampouco pelo olhar de zombaria. E a prova mais linda que eles deram da interiorização deste aprendizado, digo, de que compreenderam que ser diferente é normal, foi a forma como acolheram - os dois - ao Brayan. O Grandão hoje é tio postiço e é muito amado também! E, como eu acredito, na verdade sei, que Ananda e Arthur não são a exceção, eu insisto aqui em dois pontos: a educação inclusiva e a convivência com a diversidade são fundamentais para a erradicação de todo e qualquer preconceito, seja em relação a nós, pessoas com deficiência, seja em relação a qualquer outra minoria. Dessa forma, para finalizar este texto, dedico o próximo e último parágrafo dele ao senhores presidente, ministro e seus asseclas...

Crianças com deficiência NÃO atrapalham em nada as demais crianças quando o objetivo de uma sociedade e dos seus governantes é a verdadeira educação. Crianças com deficiência NÃO são impedimentos e nem obstáculos para o aprendizado das outras crianças, porque é na convivência entre elas que estas últimas podem fortalecer nos seus coraçõezinhos ainda em desenvolvimento as primeiras noções de respeito, empatia, solidariedade, amizade e amor ao próximo. Crianças com deficiência, ao contrário do que os senhores pensam, NÃO dificultam o rendimento dos seus coleguinhas de sala de aula, justamente porque todas estão ali para aprenderem e crescerem juntas, sem disputas, sem animosidade, sem preconceito. Crianças com deficiência são apenas crianças e, como quaisquer outras, requerem cuidados e atenção; tais necessidades, todavia, não fazem delas um problema numa sala de aula e nem em lugar nenhum. E, por fim, fazendo eco ao grito de indignação da linda Ivy Faria, filha do ex jogador de futebol e atual senador Romário, ela que nasceu com síndrome de down, digo - também sem papas na língua assim como o senhor ao falar sobre nós: "as crianças com deficiência numa sala de aula contribuem muito mais com a Educação no Brasil do que o senhor como ministro neste Ministério."**. 

*Comentário fixado num posto da @_anaclarabm no Instagram: https://www.instagram.com/p/CSsM6qeLbCT/?utm_medium=copy_link

**Citação da @mundo.da.ivy no Instagram: https://www.instagram.com/p/CSp0Q4wFUw8/?utm_medium=copy_link

sábado, 3 de julho de 2021

A Empatia em Uma Bandeja de Supermercado

O que você vê na foto? Pense bem.

Eu com certeza não sou um dos usuários mais ativos do Instagram. A maioria das pessoas que usam o aplicativo posta fotos e vídeos do seu dia a dia, compartilha "stories" das suas atividades, entre outras coisas. Já eu basicamente abro o "Insta" pra ficar vendo memes e vídeos de anime. E geralmente faço só isso mesmo. Às vezes gasto meia hora assistindo lutas do Dragon Ball ou vendo vídeos bestas, esses só pra dar risada. Fotos, mesmo, adiciono poucas e geralmente são dos cachorros. De uns tempos pra cá é que tenho me dedicado mais e compartilhado fotos com a Malu, mas, mesmo assim, vocês não encontrarão mais do que duas ou três fotografias só minhas no meu perfil. Não me considero fotogênico e também não gosto muito de aparecer, o que faz de mim um usuário "incomum" do popular app de fotos.

Justamente quando eu procurava por memes na semana passada, encontrei uma postagem com a foto acima, acompanhada da legenda "depois de ler esse texto, você nunca mais vai fazer piada sobre isso", ou coisa parecida. Fiquei curioso e me pus a ler a mensagem, que tinha sido escrita por uma moça com deficiência expressa em dificuldades motoras. Basicamente ela falava sobre a alegria que sentiu em encontrar no mercado as bananas já descascadas, acessíveis, já que as limitações manuais que ela precisa enfrentar diariamente tornam a tarefa, aparentemente simples, de descascar uma fruta algo desafiador. 

Devo admitir que o texto me deixou bastante reflexivo. Eu já tinha visto nas redes sociais algumas fotos de frutas descascadas em bandejas à venda, incluindo bergamotas (que o povo de fora do RS conhece como mexericas ou tangerinas). Geralmente as imagens vêm acompanhadas de frases jocosas, como "era só o que faltava", "geração 'Nutella'" ou algo do tipo. Porém, essa foi a primeira ocasião em que eu parei para refletir como a simples disposição das frutas descascadas na bandeja pode mesmo facilitar a vida de pessoas com a coordenação motora comprometida. E olhem que eu mesmo sou pessoa com deficiência!

Quero dizer, é muito fácil fazer piada com algo que difere do considerado "normal" ou "padrão" ou com algo que não se vivencia na pele. Tem muita gente por aí que se acha engraçada agindo assim, rotulando, tirando sarro. O desafio está em se colocar no lugar do outro, compreendendo que, exatamente pelo fato de cada pessoa ser diferente, as necessidades são, também, diversificadas. E estou falando de uma reflexão difícil de praticar em uma sociedade movida pelas aparências e pela busca da satisfação pessoal. Se nem eu, que sou PcD, me atentei para o sentido oculto daquelas bananas na bandeja, imagino que pessoas sem limitações possam estar ainda mais distantes dessa compreensão.

Esse choque em descobrir a razão (ou uma das) por que bananas podem ser vendidas descascadas acaba sendo um tipo de tapa na minha própria cara. A Malu sabe que eu não sou a pessoa com deficiência mais "militante". Isto é, eu não costumo levantar a bandeira do nosso segmento, não tenho o hábito de postar nas redes sobre o assunto, nem fico reivindicando nossos direitos, apesar de conhecê-los bem. A pequena é o oposto, está sempre falando sobre o tema, cobrando o respeito às PcDs e às suas garantias... Ao ver a postagem sobre as bananas, eu me senti um verdadeiro hipócrita, porque estou sempre reclamando do quanto a minha deficiência me faz sofrer todos os dias, mas não fui capaz de enxergar que ali estava uma solução para um problema que, diga-se de passagem, eu conheço bem. 

O que fica dessa história é o lembrete de que precisamos ir além dos nossos olhos, porque eles frequentemente nos enganam. O que não tem valor para alguém pode ser um tesouro para outra pessoa. Por outro lado, o que parece muito interessante ou atraente pode ser, na verdade, uma simples miragem ou até mesmo uma armadilha. Quando olhei a foto que ilustra o post, enxerguei motivos para fazer piada; depois de ler o texto da moça, pude vislumbrar inclusão, palavra-chave na realidade de quem tem limitações. E você, o que vê na foto?


quarta-feira, 26 de maio de 2021

Carta ao Governador do Ceará

Foto e edição: True Love


Caro Senhor Governador Camilo Santana,

Meu nome é Maria Luíza Pereira Magalhães, sou formada em Serviço Social e no último dia 15 de maio completei 36 anos. O Senhor talvez não precise saber disso, mas, não posso deixar de mencionar aqui que, se cada aniversário que faço tem sido uma vitória, este em especial foi celebrado com ainda mais gratidão – pelo que lhe explicarei a seguir. Antes é preciso que o Senhor saiba que eu nasci com deficiência física, na verdade uma síndrome rara cujas pesquisas científicas mais recentes mostram que acometeu somente 100 (cem) pessoas em todo o mundo. Síndrome de Escobar – SE é como ela se chama, mas meus pais e eu só viemos a descobrir isso no Hospital Sarah Kubitschek, no ano de 1997, quando eu já contava com 12 anos.

Só para situar o senhor sobre a SE, "ela é a forma atenuada da síndrome do pterígio múltiplo. (...) Existem duas formas diferentes da síndrome do pterígio múltiplo, as quais são diferenciadas pela sua gravidade clínica. A forma letal é tipicamente fatal no segundo ou terceiro trimestre de gestação. Se a criança nascer, será natimorta ou morrerá no período neonatal precoce. (...) Já a síndrome de Escobar é a forma atenuada da síndrome do pterígio múltiplo. Nesses pacientes, contraturas articulares geralmente afetam o pescoço, dedos, braços, cintura, dorso e joelhos. (...) As características clínicas dessa síndrome incluem: retardo do crescimento ou baixa estatura, pterígio do pescoço, axila, antecubital, região poplítea e intercrural. Múltiplas contraturas articulares (artrogriposes), sindactilia e campodactilia dos dedos, escoliose e cifoescoliose, fusão de vértebras cervicais, deformidades dos pés, anomalias genitais, defeitos cardíacos congênitos, além de redução da massa muscular também já foram relatados.”*

Bom, explicada a minha condição de pessoa com deficiência, uma realidade de outras 2.340.150 pessoas no Ceará (segundo o Censo de 2010), quero falar agora sobre os motivos que me levam a lhe escrever estas linhas. Vamos lá... Mais do que qualquer outra pessoa no nosso estado, o Senhor tem lidado, e imagino que diretamente, com toda a carga dos problemas gerados pela pandemia da COVID-19. Milhares de pessoas morreram, outras milhares adoeceram e incontáveis perderam seus familiares e entes queridos, toda essa realidade bate à sua porta juntamente com as demais questões (políticas, econômicas e sociais) ligadas à administração do nosso Estado. Acredito que não esteja sendo fácil, Governador e oro a Deus para que Ele lhe fortaleça e inspire nas tomadas de decisões. E é justamente neste ponto que eu tomo a liberdade de vir, por meio destas palavras, lhe fazer um apelo: por favor, decida lutar a favor de TODAS as PcD’s, Governador!

Somos um dos segmentos mais vulneráveis neste momento da pandemia da COVID-19. Diferente das pessoas sem deficiência, nós – em maior ou menor grau – precisamos de assistência e cuidados quase diretos, não podemos contar com a possibilidade de um isolamento total, já que conviver de perto com familiares e/ou cuidadores é fundamental para o nosso bem estar e mesmo sobrevivência. O Senhor lembra que anteriormente eu mencionei que o meu último aniversário foi comemorado com ainda mais gratidão que os anteriores? Pois bem, é que, em meados de março eu testei positivo para a COVID-19. Depois do ano passado inteiro isolada e tomando todos os cuidados possíveis, fui infectada; e, se o Senhor me perguntar como, onde, eu vou lhe responder o óbvio: por um cuidador, dentro de casa. O Senhor percebe, então, a nossa vulnerabilidade?

Senhor Governador, como pessoa com deficiência não estou pedindo regalias ou privilégios e eu imagino que o Senhor tem conhecimento disso. A utilização do critério do Benefício de Prestação Continuada - BPC para segmentar a vacinação das pessoas com deficiência é, no mínimo, contra a lei, já que o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei N° 13.146), aprovado em 2015, é bem claro quando garante, dentre outros direitos, que:

Art. 4º. Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.

Art. 9. A pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento prioritário, sobretudo com a finalidade de:
I – proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
II – atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao público;

Art. 18. É assegurada atenção integral à saúde da pessoa com deficiência em todos os níveis de complexidade, por intermédio do SUS, garantido acesso universal e igualitário.

Art. 26. Os casos de suspeita ou de confirmação de violência praticada contra a pessoa com deficiência serão objeto de notificação compulsória pelos serviços de saúde públicos e privados à autoridade policial e ao Ministério Público, além dos Conselhos dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, considera-se violência contra a pessoa com deficiência qualquer ação ou omissão, praticada em local público ou privado, que lhe cause morte ou dano ou sofrimento físico ou psicológico.

Baseando-me, então na realidade dos fatos e acreditando que a Lei não pode ficar só no papel, Senhor Governador, que ela deve ser usada para promover a justiça e a igualdade social, além de uma melhor qualidade de vida para todos, é que, para finalizar estas linhas eu, novamente, apelo: da mesma forma que o Senhor lutou para garantir prioridade na vacinação dos professores e policiais, lute pela causa das pessoas com deficiência, por TODAS elas. O BPC não imuniza, não salva vidas e não deveria estar sendo usado como critério para permitir ou não a vacinação de pessoas que já têm diariamente os seus direitos negados. Nós não somos nosso diagnóstico, não somos nossas deficiências, mas vivemos a realidade de vulnerabilidade e exclusão que – por causa da nossa condição – a sociedade nos impõe. Não seja mais um a reproduzir esse movimento, por favor. Seja diferente. Faça a diferença! Tirar a obrigatoriedade do BPC para a vacinação das pessoas com deficiência vai salvar milhares de vidas, acredite.

Eu tive a bênção de vencer a COVID-19 uma vez, mas, se não me vacinar o quanto antes, isso pode não se repetir. Por favor, pense nisso e nas milhares de Maria’s Luíza’s que o Senhor pode salvar. Reitero: somos mais de 2 milhões de pessoas com deficiência no Ceará, e é pensando em todas nós que eu lhe peço, não feche os olhos para nós, nem para a nossa realidade. Ajude a salvar as nossas vidas!

Encerro aqui estas linhas desejando fortemente que o Senhor as tenha lido até aqui, agradecendo pela atenção e pedindo que Deus derrame bênçãos de cura sobre todo o mundo!

Que Jesus o abençoe!

Att.,
Maria Luíza Pereira Magalhães

Granja, CE - 26 de Maio de 2021


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Fontes:



domingo, 4 de abril de 2021

A Nossa Páscoa - Literalmente.

Deus sabe que nós valemos a pena.
"Deus sabe que nós valemos a pena!" - I Won't Giv Up (Jazon Mraz) 



É Páscoa, pessoal! Um dia cheio de significado e, pelo menos para grande parte do mundo cristão, também de muitas reflexões. O que é natural, já que hoje se celebra a ressurreição de Jesus, o reaparecimento dele no mundo material depois da sua morte na cruz. Não vou entrar aqui no mérito dos dogmas religiosos, uma vez que não é a esta temática a que se propõe o blog. Na verdade, trouxe a reflexão do dia à tona para falar sobre o True Love, sobre Brayan, sobre mim, sobre nós. Mas, antes de qualquer outra coisa, desejo uma Feliz Páscoa a todos!

Não é novidade para quem nos acompanha desde o comecinho do blog que nós dois já temos uma história relativamente sólida. São praticamente 5 anos morando juntos - exatos 4 anos, 4 meses e 12 dias completos hoje. Em todo esse tempo, como qualquer outro casal, nós também tivemos nossos altos e baixos. Houve inclusive momentos em que o término esteve bem próximo e outros em que ele, de fato, aconteceu. Mas, por algum motivo que nós dois não sabemos - e sabemos - explicar, nós sempre acabamos reatando e optando por seguir juntos. 

A verdade é que apesar das diferenças que às vezes se fizeram e se fazem gritantes entre Brayan e eu, o que nos une é muito forte. Verdadeiro. Tanto que nos torna capazes de compreender e desculpar os erros e as faltas um do outro. E eu penso que é justamente isso que embasa o amor, sabem? Porque é fácil amar uma pessoa quando não há o que ser lapidado, perdoado... Mas, quando o conflito acontece e a necessidade do entendimento e da renuncia surge, aí sim é que se mostra a fortaleza do sentir. "Só quem perdoou na vida sabe o que é amar", canta o Pe. Fabio de Melo.

Pensando sobre tudo isso é inevitável não fazer uma correlação com o dia de hoje e pensar que, de certa forma, este momento também é de Páscoa para nós. É o nosso momento de renascimento, de renovação - tanto a nível pessoal, como enquanto casal também. Depois de uma experiência tensa que vivenciamos - eu estou me recuperando do COVID-19 - nós dois chegamos à conclusão de que muitos dos conflitos que quase nos levaram ao fim perderam a importância diante do significado da nossa história e do amor que temos um pelo outro. Como qualquer par, nós não somos perfeitos. Mas, como poucos, a gente sabe o que quer. E, neste sentido, é que seguimos escolhendo ficar juntos... Para sermos felizes, enquanto formos felizes!

Feliz Páscoa pra tu, Grandão!
Feliz Páscoa pra nós!
NEOQAV!
Я люблю тебя

domingo, 7 de março de 2021

Confissões de Um Deficiente Preconceituoso

É fácil se deixar levar pelo que agrada aos olhos. Quem disse que eu não faço isso também?

O autoconhecimento é, sem dúvidas, uma dos "requisitos" mais necessários para alcançarmos uma felicidade genuína, dentro do que é possível conquistar neste mundo. Essa descoberta íntima é um processo longo e que envolve muita reflexão e quebra de paradigmas. Digo a vocês, por experiência própria, que fazer terapia é de grande ajuda nessa empreitada. Tenho tido a oportunidade de trabalhar muitos pontos com a Carol, minha psicóloga e, a cada sessão, me vejo enfrentando uma mágoa do passado, um temor, ou um preconceito. 

Uma das últimas sessões que fizemos trouxe à tona a minha baixa autoestima, que é uma dentre as tantas questões que me atormentam com frequência. Devo admitir que não sou exatamente um modelo de amor-próprio e já perdi a conta de quantas vezes pensei comigo mesmo: "Eu não gosto de mim", "Não gosto do jeito que sou", "Não gosto do meu corpo", etc.. Sejamos francos, ter uma deficiência não é legal, não apenas pela série de limitações que implica mas, também, porque nos deixa de fora do que é considerado "padrão". Por mais que esses padrões sejam muitas vezes superficiais, sem fundamento, precisamos reconhecer que somos seres sociais e desejamos ser aceitos, admirados, desejados. Quem não gosta de ser visto, afinal?

Pois está aí um dos pontos que detona a minha autoestima. Me magoa o sentimento de que não sou notado pelas mulheres ditas "normais", que não têm deficiência. É como se eu fosse invisível para elas do ponto de vista de um interesse afetivo ou sensual. Rememorando, percebo que, desde a minha adolescência, foram poucas as mulheres "padrão" ou "quase padrão", se posso definir assim, que me deram chance para aproximação ou que cederam a uma investida minha. No geral, a grande maioria dos meus envolvimentos foi com mulheres que não correspondiam ao "ideal", por serem magras demais, ou por serem gordinhas, ou mesmo por serem mais velhas. Dito de outro modo, eu nunca fiquei com uma gatinha de academia ou uma lourona de 1,75m, com tudo em cima. Não que exista algum problema em ficar ou se relacionar com alguém que esteja fora do padrão, longe disso! Mas eu não sou hipócrita para negar que o fato de eu nunca ter tido chances com uma "modelo" me faz sentir menor, menos homem.

Alguém dirá que tudo isso é uma besteira e que eu não deveria me preocupar, especialmente agora que estou em um relacionamento estável com a Malu, que é a mulher que eu amo. Mas não posso ignorar que o meu ego sente falta de ser "olhado" com interesse por mulheres "padrão", bonitonas e, sinceramente, não vejo nessa carência nenhum crime. O erro está, isso sim, no fato de eu mesmo cultivar um ideal de beleza, sendo que costumo criticar a sociedade por fazer o mesmo. Tive essa despertar em uma sessão com a Carol e é justamente por isso que mencionei, no início, a questão do autoconhecimento. Até aquele dia, eu apontava o dedo para a sociedade e dizia: "Hipócritas, cultuam um ideal de beleza e de corpo que é simplesmente irreal, porque todos temos imperfeições, visíveis ou não!". Naquela tarde, Carol me ajudou a perceber que, apontando para os outros, eu tenho três dedos apontados para mim. Eu também me deixo levar pelo que agrada aos olhos, então não sou ninguém para reclamar. O que devo fazer é trabalhar essa mentalidade e compreender que pessoas são muito mais do que suas aparências.

O mais irônico é que, quando sou eu a "vítima" desse preconceito visual, quando sou eu o questionado por ter deficiência, quando sou eu, enfim, quem não recebe olhares interessados, lembro-me imediatamente da verdade óbvia que fecha o parágrafo anterior. "Beleza não põe mesa", é como diz o adágio. Mesmo assim, por que é tão fácil advogar em causa própria e tão complicado aplicar o conceito a outras pessoas? O nome disso é egoísmo, só posso dar a mão à palmatória. 

Como já disse, o autoconhecimento é indispensável para se conquistar a felicidade, mas não é uma tarefa simples e certamente está longe de ser a mais agradável. Acreditem, tomar consciência desse meu lado raso e preconceituoso, que eu não admitia, foi chocante e doloroso em certa medida, mas significou mais um passo rumo ao amadurecimento. Me sinto um tanto incoerente por vir ao blog escrever coisas bacanas, enquanto que, no dia a dia, me deixo levar pelos apelos visuais e por tendências infelizes como as do orgulho e do egoísmo. Mas não posso me cobrar uma perfeição que não tenho e, por isso, prefiro reconhecer minhas falhas, mesmo estando sujeito a julgamentos.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

2021: Ainda estamos no mesmo barco!

Imagens Google, Edição True Love



Eu poderia começar este texto dizendo que 2020 não foi fácil. Mas, acredito que escrever isso a esta altura do campeonato seria uma observação bem simplista e óbvia da minha parte, já que todo mundo, no mundo todo, sentiu de alguma forma o impacto doloroso que este ano nos trouxe. Assim, permitam-me neste post ir além do que já foi dito e refletir sobre um outro lado da questão; um lado pouco percebido e, talvez, até, um pouco execrado por quem acredita que tentar ver o outro lado das experiências que vivenciamos é o mesmo que a tão atualmente falada positividade tóxica - só para deixar claro, na minha opinião, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Enfim, além de todas as dificuldades de 2020, que aprendizados ele nos trouxe?

Quero dizer, é fato que o ano passado trouxe dores inenarráveis para milhares de pessoas. Por causa da pandemia do Covid 19 famílias no mundo todo perderam seus entes queridos, pessoas ficaram desempregadas ou tiveram suas condições financeiras drasticamente reduzidas, a violência doméstica aumentou consideravelmente por causa da forçada quarentena e do isolamento social e, com tudo isso, obviamente, houve um aumento gritante na busca por recursos ligados à melhoria da saúde mental. Todos, de uma forma ou de outra, sofremos. Mas, e o resto? E agora?

E agora que 2020 chegou ao fim e que, graças a Deus a imunização contra o COVID-19 já é uma realidade, o que pretendemos fazer? Depois de um ano inteiro de experiências difíceis, de dores de toda ordem, como planejamos seguir em frente neste 2021? O que a gente quer de fato para os dias vindouros? Será que o ano que nos fez ter a sensação de estar dentro de uma distopia deixou algo positivo nos nossos corações? Lembro que as pessoas repetiam quase que por uma boca só falas como "que esse ano acabe logo!" ou "que chegue 2021!" e, tudo bem desejar isso, mas, e agora que já se vislumbra o encerramento dele, como eu e você iremos seguir, agir, sentir, viver?

Particularmente para mim 2020 foi, ao mesmo tempo que difícil - por tudo o que já comentei até aqui -, também muito pedagógico. Brayan e eu ficamos juntos quase que ininterruptamente as 24 horas do dia, de todos os dias, desde que voltamos de Senador Pompeu e ele entrou para o home-office. Em muitos momentos, nesta convivência diária, as nossas sombras se sobressaíram ao mesmo tempo, e foi realmente difícil conciliar os nossos desejos e sentimentos. As arestas do nosso relacionamento se mostraram ainda mais claras, assim como também claro ficou que se quiséssemos seguir como um casal teríamos, os dois, que nos esforçar em apará-las. É só esse o caminho.

Eu, Malu, por exemplo, dei-me conta de que trabalhar-me no tocante à autoestima, à teimosia, ao ciúme... Brayan aparentemente percebeu que precisa lapidar-se no que diz respeito à responsabilidade afetiva, ao compromisso, e à impulsividade... E nós dois juntos concordamos que esse é um trabalho que deve ser feito em conjunto, é um esforço que deve ser constante e diário por parte de nós dois se quisermos multiplicar estes 5 anos (recém-completos) de relacionamento. E 2020, com todas as suas lições e experiências dolorosas em relação ao Covid, não deixou de nos mostrar isso. 

Por fim, de tudo o que vivemos e superamos no ano passado, eu sou só gratidão. Não discordo uma vírgula do fato de que 2020 foi um ano atípico e complicadíssimo, mas, por outro lado, não me vejo com coragem para abrir a boca e reclamar de nada. Muitas pessoas viveram e ainda estão vivendo dores enormes por conta da pandemia, enquanto nós aqui, apesar dos pesares, conseguimos chegar a 2021. Por fim, o Brayan foi muito feliz no seu último post aqui blog quando escreveu que entre erros e acertos, entre altos e baixos, nós somos felizes juntos e nos amamos sinceramente. Sim, eu sempre tive esta percepção e também sigo acreditando que temos um potencial enorme como casal, não é à toa que ele foi e é, todo dia, a minha escolha. E continuará sendo, pelo menos até quando a gente, juntos, se fizer feliz.




sábado, 5 de dezembro de 2020

Divisores de Águas

 

Nós e o urso colossal. 

Finalmente, estou de volta a esse nosso espaço tão querido que é o True Love! É assustador ver que meu último texto foi postado aqui no dia 24 de junho! Quantas coisas aconteceram, quanto trabalho, quantos desafios... Jamais o blog passou por um hiato tão grande, mas a vida é assim; às vezes as coisas precisam de um tempo para se reorganizarem. Com Malu e eu não tem sido diferente.

Eu não escrevia para o blog há bastante tempo porque não estive inspirado o bastante. Acreditei que seria uma grande hipocrisia chegar aqui e postar um texto meia-boca, que não refletisse sentimentos e emoções genuínos. Nem sei se eu realmente conseguiria escrever algo. Além disso, também andei muito atarefado, trabalhei muito neste ano de eleições municipais e a Malu sabe que eu quase perdi o resto dos meus cabelos resolvendo todo tipo de problema. Porém, com força de vontade e confiando no melhor, felizmente consegui vencer e, agora que tudo está mais calmo, estou retomando a rotina de sempre e voltando a fazer as coisas que gosto, incluindo escrever para o True love.

Malu e eu estamos completando na próxima semana cinco anos de namoro. É uma vida que já temos juntos, com os altos e baixos de que nenhum relacionamento está livre. Essa data, que vamos comemorar no dia 8 de dezembro, é bastante simbólica e representa uma grande vitória sobre todas as dificuldades que minha pequena e eu conseguimos superar. Também não deixa de ser uma espécie de recomeço, considerando que 2020 foi o ano em que mais fomos testados em nossa união, por uma série de fatores. Não é nenhum exagero dizer que, por pouco, nossa história juntos não chegou ao fim.

Sei que devo estar surpreendendo muitos de vocês com essa revelação, mas acredito que as circunstâncias serviram para nos mostrar que estamos longe de ser um “casal modelo” e que não podemos relaxar no exercício diário que é a convivência sob o mesmo teto. Tanto Malu como eu temos os nossos defeitos e as nossas discordâncias. Esse ano as divergências se intensificaram, em especial porque fui impaciente e invigilante com meus pensamentos, o que inevitavelmente se refletiu nas minhas atitudes. A Malu, se bem que tenha, também, suas arestas a aparar, não é uma monja e nem tem a obrigação de ficar sempre bem quando algo entre nós não está legal. E uma coisa que eu percebo que ela aprendeu a fazer nesse tempo em que estamos juntos é tomar uma posição, manifestar seus pontos de vista, dizer do que gosta e do que não gosta.

Essa postura da Malu, que eu apoio totalmente e acredito que seja a maior expressão de fidelidade dela a si mesma, não deixou de me impactar, já que representa, de certa forma, um tipo de “freio” para mim. É lógico que nenhum de nós pode fazer tudo o que quer nessa vida, ainda mais no contexto de um relacionamento de casal. Mas, eu meio que estava me esquecendo desse detalhe, falando coisas demais e pecando ao expressar minhas vontades. Dizendo de outro modo, eu estava pensando muito em mim, no que eu queria e acabei negligenciando o que importava para a Malu. Claro que isso não podia dar certo e os conflitos ocorreram, diversas vezes.

Mas, sabem aquele momento da vida em que vocês se veem diante de uma situação que deixa claro, como nunca, o que é verdadeiramente importante? É como quando alguém nos conta a resposta de uma charada e nós nos tocamos de como a solução era óbvia. Pois foi o que aconteceu comigo quando percebi que, se continuasse a pensar apenas no meu próprio umbigo e nas minhas próprias vontades, acabaria perdendo a Malu e tudo de maravilhoso que nós construímos juntos. Me bateu o sentimento de hipocrisia, de incoerência por tudo o que manifesto para ela nesses anos todos que nos conhecemos e vivemos em parceria. E então, mais uma vez, a lamparina do diálogo, alimentada pelos combustíveis do amor e da vontade de continuar, mostrou o caminho na escuridão e nós conseguimos nos reencontrar.

Reconheço que tenho uma natureza muito difícil e sei que, se fosse boa peça, não estaria nesse planeta Terra, vivendo sob as tenazes da deficiência. Isso também não significa que eu seja irremediavelmente mau, já que a escuridão absoluta não tem lugar no universo criado por Deus. É que a Malu e o nosso relacionamento me mostram a melhor versão de mim que eu posso e quero ser. A pequena sempre me lembra que eu melhorei da revolta porque estava aberto a estudar com ela e aprender as lições do espiritismo. É o mesmo princípio aplicado à nossa união, eu estou aberto e disposto a me melhorar, todos os dias, para que a Malu e eu sigamos juntos.

No passado, já estive diante de situações que denomino “divisores de águas”. Eu estava determinado a seguir por certo caminho e, de repente, veio a vida e me lançou um fato novo ou uma oportunidade aparente que me fez refletir se valeria a pena insistir em minha ideia ou se deveria apostar no novo rumo que me era apresentado. A experiência me mostrou que não existe opção cem por cento segura e que é impossível acertar sempre nas nossas escolhas. Uma boa bússola é considerar o que nos faz felizes e se isso provoca ou não sofrimento a outras pessoas. Olhando para esse 2020 que logo se despede, eu posso dizer que nunca estive tão certo do meu desejo e do meu compromisso em seguir ao lado da Malu. Tenho muito trabalho interno a fazer, muitas tendências a compreender e direcionar, mas não estou sozinho. Entre erros e acertos, entre altos e baixos, minha princesa e eu somos felizes juntos e nos amamos sinceramente. Ela é a minha escolha.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Sobre a invencibilidade do "é pra ser"...

A plantinha e a "Mãozinha", cachorrinha com deficiência, que também "era pra ser".

A força da vida e a necessidade de viver são poderosas, transformadoras, invencíveis. Não há o que impeça o brotar da semente que conseguiu fincar suas raízes no solo, assim como nada nem ninguém tira a vida daquele que ainda precisa estar aqui. Tudo conspira a favor do ser, do estar, do permanecer; todavia, é lamentável que poucos de nós consigamos perceber e valorizar isso.

Semana passada eu estava na varanda de casa quando me dei conta do milagre que estava ali, diante dos meus olhos: duas plantinhas floridas brotaram no concreto que margeia a piscina. Claro que eu já havia passado por elas provavelmente umas trocentas vezes, mas só naquele instante eu me dei conta da presença delas ali. Fiquei tão encantada que, ao mesmo tempo em que as fotografava, uma torrente de pensamentos me invadiu a mente e implorou para ser escrita. Pois bem, é para isso que eu estou aqui.

Bom, para mim é impossível observar as plantinhas na foto acima e discordar da ideia de que o que é para ser tem um poder incrível. Sim, porque, por mais que existam obstáculos e forças contrárias ao longo do caminho, o potencial do que aqui eu vou chamar de "necessidade de existir" se exerce de tal forma, que se torna até fácil a gente compreender por que certas coisas são como são. Algo meio do tipo maktub, talvez...

Estes dias vi uma notícia sobre um bebê de 3 anos, com síndrome de down, que superou o COVID-19. "Super Chico", que é como ele ficou conhecido, aparentemente tinha tudo para não resistir a esta doença que tem se mostrado tão medonha, mas pela força da vida e por necessidades que desconhecemos, ele resistiu. Ele venceu. E, como ele, milhares de outros pacientes dos grupos de risco seguem superando, se curando e mostrando pro mundo o quanto a vida pode ser surpreendentemente poderosa. 

Brayan e eu seguimos juntos, firmes e fortes, apesar de todos os ventos contrários que tivemos – e ainda temos - de enfrentar desde que começamos a namorar. Nossas dores e traumas, nossas limitações físicas, a distância que nos separava... Nada indicava que conseguiríamos viver juntos. Mas, conseguimos. Hoje somos um casal prestes a comemorar 4 anos sob o mesmo teto e já com uma história cheia de folhas escritas para contar. 

Se vamos seguir por mais 4 ou 40 anos e envelhecer juntos? Sinceramente, apesar de saber que é exatamente isso o que quero, eu não sei dizer. O que sei, e isso eu falo com toda certeza do meu coração, é que o nosso "é para ser" - assim como o das plantinhas daqui de casa e o do Super Chico – também é muito forte. E acredito que, se for para o bem de nós dois, também vai se fazer invencível. Quanto às forças contrárias, de dentro ou fora de nós, bom, delas o nosso amor vai saber dar conta. Tem sido assim! 

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Casais na Quarentena - Um Convite ao Conhecimento

Juntos, sempre!

A pandemia continua avançando e nós seguimos obrigados a permanecer em isolamento, em casa. Claro que a situação é um tanto desconfortável e, em muitos momentos, eu fico aborrecido por não estar vivenciando a rotina de que tanto gosto, com horário para sair e para voltar, com o convívio com outras pessoas. Sinto falta, especialmente, de sair para passear com a Malu, de fazermos nossos programas juntos, comer uma pizza, reunir os amigos... Mesmo assim, considerando tudo o que ocorre, temos de ser justos e agradecer por estarmos bem, com saúde e sem enfrentar privações materiais.

Tenho visto, nas redes sociais, vários memes e piadas sobre a convivência dos casais durante esse isolamento social. Coisas como homens pedindo para serem presos por violar a quarentena, só para ficarem livres da mulher que têm em casa e que lhes tira o sossego. Essas brincadeiras retratam os relacionamentos como verdadeira prisão, como um peso a ser carregado por pelo menos um dos envolvidos. Sei que são apenas isso, piadas; mas, como nós sempre podemos tirar lições de tudo nessa vida, comecei a pensar a respeito. Toda brincadeira tem um fundo de verdade, afinal.

O meu relacionamento com a Malu não me faz sentir preso ou sufocado, nem me desperta a sensação de estar deixando de viver a vida. É natural que eu renuncie, sim, a certas liberdades que tinha quando solteiro, em nome da nossa relação. Parece que estou ouvindo a Malu dizendo: "Não está fazendo nada mais que sua obrigação". De fato. Mas, notem que isso não chega a ser um sacrifício para mim, porque, pesando as coisas, a nossa história e a nossa convivência juntos ocupam um espaço que nenhuma aventura do passado jamais conseguiu preencher. Nosso relacionamento pode não ser perfeito, mas sinto-me realizado como companheiro da Malu e não tenho qualquer pretensão de jogar fora o que construímos.

Quando vejo piadas de casados, e mesmo de casadas, reclamando dos seus companheiros, tudo em que consigo pensar é: "Mas, se está tão ruim, por que ainda ficam juntos?". Alguém poderia dizer que estou levando a coisa a sério demais, mas o que me incomoda é a mensagem que essas brincadeiras acabam transmitindo. O homem, por exemplo, fica retratado quase que como um escravo, que não pode tomar uma cerveja com os amigos, nem sair para jogar bola ou pescar, porque a mulher não permite. Ela, por sua vez, é pintada, geralmente, como a "patroa", a que manda na relação, a que joga o marido para dormir no sofá, a que fiscaliza celular, etc.. Francamente, eu não consigo imaginar essas coisas acontecendo entre Malu e eu. Novamente, não porque sejamos o casal perfeito, mas porque nos amamos e nos respeitamos demais para tentar acabar com a individualidade um do outro.

A nossa rotina é muito tranquila. Atualmente, estamos passando quase o tempo todo no quarto, mas cada um faz suas coisas. A pequena fica ali, na cama, com o celular ou com um livro; eu fico aqui na mesa, usando meu notebook, trabalhando, estudando, jogando; também dou atenção ao meu videogame quando posso. E está tudo bem assim, nenhum de nós sofre e nem fica neurótico. Aliás, recentemente compramos um controle para o videogame e temos descoberto como é divertido jogar Mortal Kombat juntos; a Malu sempre apela ou reclama. Quero dizer, nossa vida a dois é muito boa e as renúncias que ambos fazemos não são nada fora do necessário para mantermos um relacionamento saudável.

Esse isolamento social, essa obrigação que estamos vivendo de permanecermos em casa, pode ser uma excelente oportunidade para nos importarmos mais um com o outro, para conhecermos melhor aquele (a) com quem dividimos a cama e a rotina. Até entendo que pode ser desafiador ter de passar mais tempo com nosso par. Esses dias mesmo conversei com a Malu a respeito; disse a ela que, por estarmos tão juntos ultimamente, tenho me sentido como no BBB. Depois reconheci que não tinha sido muito justo com ela. Acho que a falta da rotina bateu forte naquele momento. Porém, uma coisa é certa: eu não trocaria o relacionamento tão bom que tenho com a Malu, hoje, pela minha vida de solteiro. Seria um péssimo negócio.

O que eu proponho é que vejamos os relacionamentos de casal além das convenções e além dos lugares comuns tão desbotados, como esses conceitos toscos de "patroa" e de "homem mandado". Qualquer relação que esteja nesse nível, com uma das partes impondo a sua vontade independentemente do que o outro sinta ou pense, já terminou há muito tempo. Só serve pra ser piada em rede social mesmo.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Sim... Às vezes o Amor não é o bastante!

Amamos você!


Não estava nos nossos planos. Quando resolvemos que formaríamos uma família - Brayan, Nina, Sarah e eu - tínhamos a certeza do que queríamos e desejávamos fortemente que tudo desse certo. Tínhamos medo, claro, pois toda mudança de rotina assusta e traz um certo desconforto; mas, vejam, se nos deixássemos levar pelo receio naquele momento, quando que conheceríamos a nuance linda do amor que estarmos todos juntos nos fez experimentar? Por mais doloroso que tenha sido o desfecho, eu ouso dizer, e acredito que o Grandão também, que valeu muito a pena! E aqui eu me refiro à princesa Sarah, que para quem não sabe, é a cachorrinha que adotamos quando estávamos morando em Senador Pompeu. 

E sim, como eu dizia, valeu a pena, pequena! Valeu a pena irmos te buscar na Animus naquela tarde depois que o Brayan saiu do cartório. Valeram a pena as incontáveis noites mal dormidas que tivemos por causa do seu chorinho de filhote que pedia colo. E o que dizer das birras por ciúme da Nina que nos últimos tempos voltaram a tirar o nosso sono? Pois é, princesa, elas também valeram a pena e a gente tem certeza que mesmo agora você sabe disso. Sim, embora para nós humanos soe contraditório, eu quero crer que você sabe, que você sente que o que fizemos ao te doar para outra mamãe e outro papai foi por amor. 

O mesmo amor que nos levou até a ONG e nos fez apaixonar imediatamente por você. O mesmo amor que nos moveu a te cuidar e a não medir recursos para te curar daquela doença que por pouco não te tirou de nos. Não duvida nunca que nós te amamos, pequena; e que foi exatamente por isso que abrimos mão de te ter por perto: para te vermos feliz como você está agora. O fato de percebermos que a nossa condição física não combinava com a tua personalidade e que você precisava de tutores que acompanhassem o seu pique falou mais alto pra gente que a necessidade de te ter aqui. Foi difícil te deixar partir, mas repito: foi por amor.

Sua felicidade nos faz feliz, pequena! E o Bolinha também parece alegre!

E hoje, passados alguns dias, depois das muitas fotos que sua nova mamãe tem me enviado de você no seu novo lar, eu sou toda gratidão a ti, sabia? Sim, porque até mesmo com a sua partida você nos ensina algo, Sarah. Algo que talvez consista no mais grandioso e difícil aprendizado que nós, humanos, precisamos vivenciar: o de que o verdadeiro amor liberta. Vocês, seres que chamamos de irracionais, já sabem disso naturalmente, imagino. Mas, a gente, não. Nós, não sei por que cargas d'água, precisamos desenvolver essa consciência na marra. E, acredite, não é muito fácil. Aliás, eu ouso dizer que só é possível quando a gente se percebe amando incondicionalmente de fato. Você entende o que estou a dizer?

Nem consigo imaginar como seriam os nossos dias com você aqui, quando isso significaria te manter boa parte do tempo infeliz... Você sabe que não te faltava nada: você tinha espaço para brincar, comida, lugar quentinho para dormir, mas sabemos que você sentia falta, ou melhor, que você precisava do que eu vou chamar aqui de plenitude por falta de uma palavra melhor. Do que adiantava te oferecermos "casa, comida e roupa lavada" se nosso afeto pra ti, por dificuldades nossas, estava sendo oferecido a conta-gotas, apenas quando nos era conveniente? Você merecia e merece muito mais, meu amor. Lembra sempre disso quando o seu coraçãozinho canino pensar em nós, tá? Lembra que por te desejarmos toda a felicidade do mundo foi que percebemos que, às vezes, o amor não é o bastante. E exatamente por isso te deixamos partir. Seja feliz, princesinha!