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A Matemática do Amor

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Malu e eu assistimos, há algum tempo, uma palestra do ótimo Andrei Moreira. Chamou-me atenção quando ele disse: “Um mais um tem de ser igual a três”. A frase, que poderia revoltar os mais lógicos, é completamente certa para quem está em um relacionamento. Significa que, mesmo que A e B namorem ou sejam casados/companheiros, deve haver o espaço de A, o espaço de B, e o espaço do casal AB. Algo como duas alianças, que se entrelaçam, na feliz imagem proposta por Andrei. Tomo essa colocação como ponto de partida para a postagem de hoje, porque quero falar de espaço vital. Entenda-se este como um mínimo de que a pessoa precisa pra fazer suas coisas, para se autodeterminar. Todos nós merecemos um tesouro íntimo, só nosso. Eis o motivo por que, no relacionamento, não pode ser tudo dos dois, ou tudo com os dois; se estaria anulando a própria individualidade, em nome de um objetivo nobre, é claro, porém, quando se está certo pelos motivos errados, se está igualmente errado. Essa última tirada …

A taça, o anel e o tilintar solitário: um causo junino

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Apesar de já ter passado a data, basta percorrer a blogosfera ou abrir uma página de qualquer rede social para percebermos que a vibe dia dos namorados continua no ar. Pensando nisso e também pela lembrança ter me vindo à tona recentemente, no post de hoje eu venho contar um fato que me aconteceu neste mesmo período: uma sexta feira do ano de 2015. Juro que é verdade o que vocês vão ler nas próximas linhas; mas, se quiserem provas, continuem lendo esse post, pois vou nomear todas as testemunhas! :)
Éramos três amigas sozinhas na noite do dia dos namorados: Dandara, Raquel e eu. Em parte porque qualquer coisa era motivo pra gente se reunir, em parte porque talvez quiséssemos abafar qualquer sentimentozinho de solidão, o fato é que resolvemos comemorar a data. Lembro que, naquela ocasião, eu senti uma espécie de solidariedade vindo da parte delas; e, mesmo esta sendo apenas uma impressão minha, ou não, só sei que tê-las ao meu lado naquele dia realmente espantou a melancolia costumeira…

#AssimComoVocê - Tamires, uma das minhas futuras psicólogas

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Quinta feira, galera! Aqui é a Malu -  tagarelamente escrevendo. Bom dia!!!  Como prometemos nas nossas redes sociais, hoje temos estreia no blog. Dessa forma, se você está curioso/a para saber do que se trata, ou ainda está por fora do assunto, chega mais e continua lendo este post, pois a partir de agora vamos explicar tudinho. #AssimComoVocê Inspirada em um blog homônimo da Folha de São Paulo, escrito pelo jornalista Jairo Marques, a ideia de criar uma nova categoria no True Love foi pensada com muito carinho. A proposta é simples: trazemos experiências de outras pessoas e/ou casais que, como Brayan e eu, também vivenciam a realidade das pessoas com deficiência; uma realidade às vezes difícil, como a de qualquer outra pessoa; mas também, como a de todo mundo, repleta de oportunidades de crescimento e aprendizado. E, por falar em aprendizado, a #AssimComoVocê estreia com uma participação mais que especial - e o especial aqui não tem nada a ver com aquela nomenclatura equivocada que ant…

Amor Amor

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O 12 de junho representa o tradicional dia dos namorados, como todos vocês sabem. A data em que se trocam presentes, na qual às vezes se fazem promessas ou, até mesmo, pedidos de casamento. Isso quando o próprio matrimônio não é agendado para este dia. É o ápice do romantismo, e não há nada de mau nisso. Pelo menos pra quem está em um relacionamento. Tenho visto muitas pessoas decepcionadas com o amor, algumas até revoltadas por não terem alguém, assim como eu mesmo já fui no passado. Lembro que, em 2016, um conhecido de um conhecido (vejam só) decidiu promover um boicote ao dia dos namorados. O sujeito, obviamente mergulhado na revolta, dedicou mais de uma semana proferindo lamúrias e dirigindo xingamentos ao “valentine’s day”. Sugeria ele que os outros deviam acompanhá-lo na tarefa, e que os que se recusassem seriam escravos emocionais e “massa de manobra”. Pensamentos pequenos, sem dúvida, mas que não condeno tanto porque já vivi experiência semelhante. Falta de amor é coisa que d…

Amélia? Mandado? A gente se cuida!

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Certa vez mãe abriu a porta do nosso quarto e pegou a gente no flagra: Brayan estava enxugando minhas pernas e passando uma pomada no meu pé. Em um outro momento estávamos na piscina, os dois bem sentados, quando ele pediu para eu pegar os seus óculos de sol no quarto. Prontamente levantei e atendi o seu pedido. É costumeiro ele cortar as porções de carne que vêm no meu prato e passar manteiga no meu pão; isso desde a primeira vez que fizemos uma refeição juntos, quando fui encontrá-lo em Passo Fundo. Também tenho o hábito de sempre separar as roupas que ele vai usar, deixar uma garrafa com água por perto quando ele senta para estudar e preparar a bagagem quando ele precisa fazer uma viagem.
Já ele, vira e mexe pinta as minhas unhas, penteia meu cabelo e, vez e outra, coloca os meus brincos. Ao fazer estas revelações, já sabia de antemão que, se certos homens e mulheres lerem esse texto, imediatamente farão cair sobre nós, dois rótulos que, acredito, são um dos fantasmas de muitos r…

Domingos Montagner morreu - e o meu chuveiro também

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Vou começar este texto com um esclarecimento breve. Cada pessoa é livre para ter suas próprias crenças e para seguir a religião que lhe aprouver. O que vou postar hoje é um relato pessoal, sem intenção de proselitismo. Procuro ter tato ao abordar temas como religião, porque não quero ofender a ninguém, nem parecer ser melhor do que realmente sou. Vivo as sequelas de um parto difícil, que envolveu certa negligência médica, pelo menos três voltas de cordão umbilical no meu pescoço e muita sorte no fim das contas. Ora, outros que nasceram nas mesmas gravosas condições sofreram danos muito maiores, inclusive cognitivos. Tenho que agradecer a Deus todos os dias, por Ele ter preservado o meu intelecto e atenuado o que poderia ter sido muito mais sério. Por anos, soube que o diagnóstico era de paralisia cerebral; porém, recentemente, exames esclareceram que o que me atingiu foi possivelmente um dano na medula, justamente pela falta de oxigenação no nascimento. A par do termo médico,…

O segredo da jaca madura

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Vou começar este post com um segredo que, até agora, era só nosso: Brayan já me reergueu de dois tombos, depois de eu cair estatelada com a bunda no chão. Aqui, por questão de praticidade e espaço, vou relatar somente um.
Foi numa das tardes em que estávamos sozinhos no escritório. Desastrada como quase sempre, quando fui sentar na cadeira que era de rodinha, ela escorregou para trás e eu cai feito uma jaca madura do pé.
No chão e quase embaixo da mesa, lembro de ter ouvido o "Maaaaaluuuu" do Brayan e de ter sentido, ao mesmo tempo, o medo de não conseguir levantar e a pressa de fazê-lo.
Ora, se alguém chegasse e me visse ali onde estava, certamente a pouca autonomia que a gente a muito custo tinha conseguido, entraria em choque com as preocupações e cuidados que todos têm conosco.
Pensando e tentando agir rápido, então, ainda sentada arrastei a cadeira de volta para perto de mim e quando comecei a tentar levantar, eu ouvi o "fica calma que eu vou te ajudar!".
N…